fragmentação

Data 24/04/2026 15:56:14 | Tópico: Poemas

"Ela devia morrer um dia.
Haveria um tempo para essa palavra.
Amanhã... e amanhã... e amanhã...
Deslizam nesse pobre desenrolar
de dia a dia
até a última sílaba do registro dos tempos
e todos os nossos ontens iluminaram para os tolos
o caminho até o pó da morte.
Apaga-te... apaga-te breve vela!
A vida nada mais é que uma sombra que anda...
um pobre ator que se pavoneia e se agita durante sua hora no palco e depois não é mais ouvido.
É uma estória contada por um idiota
cheia de som e fúria que nada significa.
Nada!


(Macbeth)









Impreciso, esse culto inventado e sem nomes
Auxiliado pelos ossos de palavras revestidas
Mentiras, somente. Apenas um ecos e fome
Quando o inferno bater, quando chover em vida

E todas as possibilidades estarão em frente
E todos os lados, em pecados transparentes
Já não valem os meios de tanto insistir




...




Não é sonho vestido de névoas brancas
Ou um quadro solto que perdeu-se do mar
Uma palavra que, não dita, seria branda
E agora nem comprime o meu conto de tentar

Era seda, era linho descido em corpos nus
Na morada de um dia inteiro que já pretendi
Um ensaio de peças que não terminam, supus
E agora nem valem as cortinas que caem aqui




...




Amanhã, quando abrirem, os seus olhos
Quando o retrato de uma cena se perder
Na memória em erro, deslocada, sem espólios
Não ensaie a peça que perdi e pedi pra você

Não perceba meus atos de fogo em ascensão
Na estória que nunca disse, própria indecência
Era pra ser um lado só, um corte e uma mão




...




Ilusão de hora tardia
Completa o tolo olhar
Na intenção que me séria
No intrépido conto de ar

Onde contariam meus casos,




...










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