
Sabado. 25/04/2026
Data 25/04/2026 21:01:55 | Tópico: Textos
| É bom registrar que o equivoco de citar o musico Aloisio de Oliveira de marido de Carmem Miranda não foi do mestre Rui Castro, pelo contrario, na sua impecável biografia sobre a diva – ele foi conciso nesse assunto. O erro crasso e imperdoável foi do jornalista Julio Maria no seu livro “Elis Regina – Nada Será Como Antes” editado pela Master Books em 2015.
Sabado, 25 Manhã chuvosa. O sr. Com comprou os pães para o sr. Vince e pagou adiantado um mês (dois pães por dia) na Padaria Renascer da Praça Sete Palmeiras, Vila Embratel. O seu Robert sorriu agradecendo e o poeta ouvia com os fones “Era de Ouro” na Senado FM uma viagem musical com os clássicos dos anos 40/50 – Araci de Almeida, Aurora Miranda (irmã da grande diva) e outros – o programa fazia-o lembrar de seus pais na Casa Grande da Rua Afonso Pena, Desterro – o velho Bamba gostava de cantarolar para adoçar o ciúme de Mama Grande – Ele tinha uma amante fixa, Dona Maria. E no final dos tempos as duas tornaram-se amicíssimas até a morte de ambas. No atelier, sempre temerário com o reboco da viga desabar, o poeta rezava antes de suspender a porta de rolo e suspirava aliviado ao constatar tudo normal, então agradecia novamente ao bom Deus. Colocava ou melhor pendurada a antena de seu Jojó e seus heterônimos na fachada e mudava de roupa. “Assistir o show de Elis e o bruxo Hermeto no Festival de Montreux” anotou o Sr. Com no seu caderno de capa amarela. - Ei, Bonjour! – gritou Dezão interrompendo a entrevista de Nelsinho Mota com a pimentinha num almoço na casa do organizador Nobs, depois do apoteótico show da noite anterior. Todo de preto, vinha do café no Popular, um relojão colorido, um celular verde- “Vou lavar ao menos duas roupas, segunda vou buscar receita. Tá faltando Carbamazepina e meu cartão de transporte vence, mas tenho quinze dias, não diz pra ninguém” e saiu. Na opacidade fugidia do sol atrás das nuvens plúmbeas que encobriam o céu, o poeta deixou Elis sobre a mesinha e rumou para a quitanda de Gordilho. Um gato gordo e pachorrento enrodilhado no assento da cadeira dormia, tal como o gato risonho de Alice nos Pais das Maravilhas anunciava a ausência do mestre atarefado nos seus afazeres domésticos nos confins da casa. A visita surpresa de um velho conhecido, conversam de tudo de Trump a Vorcaro e a sabia citação de sua avó materna, neta de escravos: “Muita inteligência passa por cima da fortuna” – quando o poeta viu Gordilho colocando o saco de lixo na calçada, percebeu que era a hora – acompanhou o conhecido até o farto tabuleiro do verdureiro e esse ao ver a convidativa nudez das espigas de milho, aproveitou para compra-las. - Olha agora é vinte reais – advertiu seriamente Gordilho por trás da grade fechada do portão da quitanda ao entregar o refrigerante e o resto de uns biscoitos de ontem. O gato gordo espantou-se pelo tom de voz do dono e abriu preguiçosamente um dos olhos – É pra tu não esquecer, certo. “Assisti programa “Mulher 80” e o especial “Gente Nossa” com Elis na Tv Globo. A fauna do Popular a caminho para pegar os bandecos – Feijoada. - Pisissitinho puro! -gritou a morena musa dos bebuns do bar de Ed Paul do meio da calçada (continua amanhã)
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