Artigo de Opinião - do passado ao futuro do Luso-Poemas

Data 27/04/2026 10:35:34 | Tópico: Artigos

Caros congéneres, permiti que vos enderece algumas palavras, sendo que umas trazem olhos de contentamento e outras nem tanto.
Farei duas décadas nesta casa no dia 24 do décimo segundo mês do ano que corre, tal tempo permitiu à minha por vezes humilde pessoa, confraternizar com as mais variadas personalidades, bons e maus escritores, boas e más pessoas, bons e maus amigos, mas todos tidos como uma outra família.
E de tal sazão retirei tudo o que é hoje o meu verbo e a minha qualidade (seja ela boa aos olhos de uns ou má aos de outros). Nem tudo foram rosas, senhores, pois que muitos cardos por aqui pisei, muitas vezes amuei e muitos amuos vi.
Hoje olho para esta minha/vossa casa e vejo-a em ruínas, velha e a criar teias de aranha, quase que com o odor do mofo, a alimentar-se de um passado glorioso e a esquecer o presente e, quiçá, o amanhã. Amordaçada. Agrilhoada.
O espírito de irmandade que por aqui em tempos existiu, desvaneceu-se, desmoronou por completo, falta interacção, o gosto pela crítica mordaz, a leitura certa de quem lê e incerta de quem escreve, o pasmo por se ler um bom texto e um mau texto, o prazer de participar, o sonho que antes existia de um dia, longe eu sei, existir cada vez mais viva esta sociedade de poetas vivos.
Homenageamos os nossos mortos com alguma pompa e circunstância, o Zé Silveira, o Júlio Saraiva, o Zeninumi (José Miranda) e tantos outros, mas esquecemos que a melhor e maior homenagem é manter vivo o espaço que também eles ajudaram a construir.
No passado fizemos encontros por Portugal fora, pelo Brasil fora... tantos e tão bons, trocámos palavras, poemas, prosas, risos e olhares que ainda mantenho comigo, catámos, declamámos. E tudo isso é agora uma memória, uma mera memória.
E o futuro? O futuro trouxe-nos muito sangue novo, muito verbo e muita fome de escrever e reescrever, trouxe de volta alguns que tinham saído, mas falta o gosto, o gozo, a brincadeira, a crítica, a leitura, o comentário, o exagero e a coragem de ser Luso-Poeta. Somos todos herdeiros do mesmo passado.
Quem escreve sabe que ao ser lido e criticado, cresce. Tem de saber.



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