
O Salmo do Infinito - Chris Katz
Data 29/04/2026 18:11:56 | Tópico: Poemas
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O Salmo do Infinito
Abro as fendas do peito para que o cosmos por elas transborde, Pois não sou apenas carne e pó, sou o acorde que não se morde. O que em mim é finito, o tempo consome com fogo e com vento, Mas o que em mim é eterno, flutua além do pensamento. Somos feitos da poeira de sóis que morreram há milênios, Carregando nos olhos o brilho de deuses e de gênios.
Vê como o espaço se curva perante a tua própria grandeza, Não és o que vês no espelho, mas a força da própria natureza! O infinito não está fora, em galáxias de frio e de luz, Mas no silêncio do sangue que, em ondas de vida, nos conduz. Cada suspiro é uma ponte lançada ao abismo do nada, Cada desejo, um rastro de fogo em nossa longa jornada.
Subamos, pois, os degraus de uma escada de cristal e de som, Onde a matéria se apaga e a alma descobre o seu tom. Lá, onde o ontem e o amanhã se fundem num beijo de agora, Onde a saudade não dói, mas se torna a luz de uma aurora. Não há falta no Todo, não há vácuo no peito que se expande, Pois quem se torna o Universo, em qualquer miudeza é gigante!
Que o peso da Terra se perca, que a alma se torne um cometa, Riscando o negrume da noite, sem dono e sem meta. Transbordar é o destino de quem descobriu o seu centro, Pois o céu mais profundo e mais vasto, reside cá dentro. E quando o silêncio baixar sua cortina de seda e de bruma, Saberás que és a Onda, e ao mesmo tempo, serás a Espuma.
Chris Katz
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