
O mundo do sr Con II
Data 29/04/2026 20:28:26 | Tópico: Textos -> Surrealistas
| - Sabe como é, preciso zelar e preservar a minha imagem perante o público – arrematou solenemente e ofereceu-me uma lata, que aceitei de bom grado e assim paz voltou entre nós. Assim é o velho Con, desconfiava que sofresse de transtorno bipolar devido ao consumo excessivo de álcool. Aguas passadas A bela e donzela filha do sapateiro, com seu belo calipígio dançando num vestido, uma visão magnificantemente extasiante para os olhos cansados e mortos de um poeta celibatário. O pirado do Frank Puro todo entonado: quepe preto, mascara branca, camiseta negra, bermuda jeans rasgada mecanicamente como a dos cantores de rock e filhinhos de papai e um vistoso tênis azul. Diziam que pirou em Porto Alegre depois que papou um frango de despacho que encontrou de bobeira numa avenida qualquer. Dona Bilu, uma baixinha morena apetitosa e micro fazendeira do Monte das Oliveiras veio procurar pelo ferro de marcar gado. Con o prometeu para sábado. O aceno da simpática e jovem empresária que queria comprar a oficina para montar uma boutique e seu apartamento. Con encantado com a prosa verborrágica do mestre Saul Bellow em “Planeta do Sr. Sammler”, prêmio Nobel de literatura de 1976 – escritor de origem judia, muito bom. Gostaria de ler a sua obra-prima “Herzog” de 1964. A cerimonia de posse de Biden numa Washington sitiada com a presença de ex-presidentes deixou Con emocionado que secou o litro de vinho da senhora Vince. Ele era assim gostava dessas pomposidades desses eventos – casamentos reais e etc e tal – e um temporal tropical desabou sobre a Vila Embratel, obrigando-o a desligar a televisão e refugiar-se no seu aconchegante aposento ao lado de seus amados livros. Os olhos umedecidos adormeceu
Problemas, problemas e problemas e nada mais de que problemas – assim estava a confusa e traumática mente do Sr. Con depois que soldou o quadro de cantoneira do portão das pixixitinhas e antes uma solda no quadro da bicicleta do agoniado Seu Raimundo. Chuviscou a madrugada toda e o céu ainda enferrujado, sem sinal do sol. A foto do sacana do poeta Constantino ou melhor Sr. Con correu o mundo e teve mais curtidas e comentários de que meus textos insípidos que escrevo sobre ele. No dia seguinte ao visita-lo na oficina, encontrei-o transtornado e ao ver-me foi logo me perguntando: - Quem te autorizou a postar uma foto minha, seu filha da puta? Tentei contornar a situação, mas não queria ouvi nenhuma explicação e continuava a insultar-me de uma maneira que me vir obrigado a sai de fininho. Encontramo-nos casualmente dois dias depois no box de Seu Raposo, tentei evita-lo, mas chamou-me, achava-se em estado de graça depois de algumas latas, polidamente pediu-me desculpa, alegou que agiu irracionalmente sobre efeito de uma ressaca e advertiu-me como um mestre escola para nunca mais postar uma foto sua sem sua previa autorização:
Ainda escuro quando começou tirar os livros da estante de madeira e espalhando-os sobre a escrivaninha e a cadeira. Vão rebocar a parte alta do seu adorável ninho. Desmontou também a cama. Oh! Coisa chata essa coisa de reforma. Ele detestava. A senhoria o pressionou e até foi chamado pelo impassível Sr. Vince afônico devido uma constipação. Nesse rebuliço esqueceu onde colocou o “Planeta do Sr. Sammler” então resolveu levar “As Aventuras de Nick Adams” do grande mestre de Oak Parks, Illinois – Hemingway, um revolucionário literário que criou uma linguagem própria, a chamada “telegráfica” – amigo de Joyce, morou muito tempo em Paris, como correspondente e intimo de Fiitzgerald, que o encaminhou para o seu editor Max Perkins, que publicou o clássico “O Sol também se levanta” uma das maravilhas da literatura moderna. Con o reverenciava e o relia constantemente para aprender a técnica. Mas parece que nosso amigo não conseguia. Uma pena – também preguiçoso, em vez de insistir preferia encher a cara e ficar zanzando etilicamente. Tinha seus motivos e não vamos entrar no mérito da questão – como sempre dizia-me: “Cada um carrega a sua cruz e eu carrego a minha.. lata de cerveja” A tarefa da manhã, cortar a chapa para encaixa-la no quadro do portão. Um serviço chato que requeria muita precisão e paciência para manejar o martelo e a talhadeira. Nada de afobação – refletiu ao chegar na oficina, sentou-se. Analisou todas as situações e friamente como um neurocirurgião começou a delicada operação. Suando a cântaros, cortou a primeira, são três e resolveu parar – o cansaço era demais para o seu pobre corpo velho - Decidiu que adiantaria as letras MP do ferro de Dona Bilu. Respirou fundo e bebeu o café com leite que Mozabila lhe trouxe e o cumpadre deixou-lhe o pão. Uma coroa branca e apetitosa, toda apertadinha numa justa calça de moleton, toda sardenta de óculos na ponta do nariz, do jeito que o poeta gosta – “Ah se meu dinheiro desse” lamentou-se mentalmente, levantando-se da cadeira e ficando em pé na porta para admirar o seu belo derrière. Desiludido voltou a sentar-se e com a mão no queixo ficou a pensar; “Também todo o pouco dinheiro que pego é só para beber” Foi interrompido pelo Bom Sapateiro Oswald que parou no meio da calçada e ficou a olha-lo e a rir e foi embora para o seu atelier dentro do mercado, onde Con já alto sempre o perturbava. Do outro lado a seria professorinha da street 25, toda compenetrada, cheia de não me toques, deslizava, balançando sutilmente os cabelos sobre os ombros, cara fechada para não dar intimidade. Con fez apenas um muxoxo e apanhou um livro sobre as falcatruas do velho mafioso Sarney – o Dono do Mar.. anhão – Apesar de tudo Con o respeitava, afinal o homem foi presidente da república. Um fato bem inusitado, que ninguém esperava. - Eh! Campeão – saudou-lhe o carroceiro Barrabás montado garbosamente na sua encardida burra branca. Aprontou as letras e as ferrou com tinta preta no pano do armário. Faria o acabamento, juntamente com o outro do senhor de Viana no sábado na oficina de Karl no bairro do Portinho, centro. Gasparetto de volta do trampo, conversaram sobre política. Na pensão, o pedreiro Zé Grandão e o ajudante Gato Guerreiro davam o grau nos seus aposentos. Com a ultima cédula de dois reais correu até Valdecir e comprou uma latinha. A senhora Vince no seu pé para cortar os canos enferrujados de uma estante que ela lhe deu para substituir a de madeira, que mdf esta se esfarelando.
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