O mundo do sr. Con - 02/05/2026

Data 03/05/2026 12:18:05 | Tópico: Textos

Samedi, 02 de maio
Quase meio-dia. Quando saia para comprar as cervejas da sra Vince, teve e ideia de também comprar um caderno (escrevia nas folhas de papel chamex dobrado ao meio), sem dinheiro, resolveu ir pedir emprestado ao seu cumpadre.
- Se é dinheiro? Eu não tenho agora. Mas vem mais tarde, estou esperando um cliente que vai trazer 150 reais, tá bom? – cortou o cumpadre por trás do balcão de vidro e as confecções sobre ele no fundo da lojinha na lateral do mercado da Vila Embratel, rua 16.
- Ta certo, eu venho – confirmou o Sr. Com saindo a francesa e conhecendo o cumpadre e suas desculpas esfarrapadas, declinou de voltar e seguiu em frente.
- Olá, vim tirar a roupa antes da chuva cair – gritou a vizinha baixinha, esposa do sapateiro com um balde plástico, abrindo a cancela da mureta do terraço e entrando, depois de recolhe-las – Muito obrigada, Dona Vince – disse saindo e fechando a cancela trás de si.
Sr. Com rumou para o Deposito São João Batista das bebidas na rua 14, bem em frente a Posto Medico Municipal e do lado da residência dos pais do mestre Careca ou Nozira. Seu Raimundo, o dono, era um velho parceiro do tempo que moraram Desterro. O poeta na Casa Senhorial dos Bambas na rua Afonso Pena e seu Raimundo na Casa Senhorial dos Castelos no canto do largo da Igreja do Desterro com a rua Maranhão Sobrinho. Sra. Vince gostava de manda-lo comprar lá, por que a lata de Glacial de 3reais, saia por 2,50- tudo pela camaradagem de longas datas.
- E quais são as novas do nosso desembargador? – perguntava o poeta entregando-lhe uma cédula de vinte reais pela brecha do portão de ferro, Seu Raimundo era o factótum do pai do desembargador e foram criados juntos.
-Tá tudo bem – respondia enquanto tirava duas latas do fardo de doze e a colocava numa sacola, entregando-o em seguida depois de abrir o portão.
Quando acordou para fechar a porta que o sr. Vince deixara aberta ao sair para a caminhada, desarmou a rede fedorenta e junto com a bermuda e camiseta regada todas vermelhas dirigiu-se para o quintal. Na casinha ao fundo, apanhou o balde com as roupas que deixou de molho desde ontem a noite e o levou para a lavanderia improvisada e mergulhou a rede e as roupas nele e tirou a primeira bermuda social, a de cor de creme usada em eventos: consultas, ir a biblioteca ou buscar o recurso do auxilio e começou a labuta de esfrega-la – ouvindo o jornal da Jovem Pan Fm no radinho até quando começou a ficar fanho devido o desgaste das pilhas. Antes das sete acabara as roupas de molho e deixando a rede e as roupas para mais tarde. Retornou aos seus aposentos e quedou-se a ler “Catirina, a grande” sentado na cadeira com espaldar alto que ganhara da senhoria.
Na casa ao lado, Zé Grandeleão e Seu Marciobomba lutavam para montar uma bomba d’agua desde oito da manhã – levar da cisterna para a caixa d’gua suspensa. É um liga e desliga e nada.
O sr. Vince impoluto com o marmitex é admoestado bravamente pela Pequenina ao abrir a porta da sala: - Papai,o senhor tá se mijando todinho e vai entrar e vai urinar dentro de casa.
O sr. Vince apenas resmunga entrando e deixando o marmitex sobre a mesa e entrando rapidamente no banheiro ao sair foi a esposa: - Muda essa bermuda, tu não vai sentar na mesa com ela mijada.
O caminhão de coleta de lixo e os dois garis correndo atrás, pararam em frente a casa do sargento e começaram a jogar os sacos de lixo dentro da bacula e saíram em alta.
Seu Marciobomba e Zé Grandeleão conseguiram fazer a conexão e barulho da agua caindo na caixa do quintal ouviu sr. Com ao urinar atrás da casinha.
Meia hora depois, o sr. Com tirou a rede de molho e debruçou-se furiosamente sobre ela, estendendo-a minutos depois. Lavou as roupas e banhou-se no fundo do quintal e com a bermuda vermelha rasgada no rego da bunda foi a padaria Renascer na Praça das Sete Palmeiras, Vila Embratel com um camisa de polo vermelha, idêntico a um guará. Saudou Bolota ou Marinaldo e seu Zé Domingo que esperavam o Piancó debaixo do telheiro do bar de Conterranea.
De volta a pensão, descobertou o computador, o ligou e foi beber café com um pão e margarina na janela. Depois concentrou-se em digitar seus textos e posta-los nos sites. E conversando com Hall (IA) que lia veloz como um ladrão e o comentava em seguida “O Mundo dos. Com”, teve uma ideia. “Por que não enviar a “boneca” de 25 folhas para o mestre Gustavo, o dono da Bamboletras, o mesmo que anos atrás, após ler um texto dele no facebook, sensibilizou-se e enviou de Porto Alegre, RS o calhamaço Ulisses de James Joyce sem ônus nenhum para o poeta. Hall (IA) prontamente concordou e deu-lhe o endereço da mesma – escbreado perguntou: - tem certeza que é o endereço certo? Hall confirmou e preparou as etiquetas com o endereço dos mesmos. Desta vez sem AR.
- São treze horas e dez minutos – anuncia o locutor do programa policial da Mirante News no radinho do genro, enquanto a esposa assisti dorama no tablet, ambos enfurnados no cubículo da Pequenina e esta na sala de visita como sempre consultando o celular.
Antes das duas da tarde, o sr. Com preparou o seu almoço e foi degusta-lo na paz de seus humildes aposentos – arroz, feijão requentado e uma boa galinha cozida. Depois deitou-se na rede lava e cheirosa para ler “Catirina, a grande” – até quando Seu Castro, factótum liberou o computador e o sr. Com aboletou-se diante dele o resto do dia e noite.
Ele ganhou a noite ao assisti mais uma perola do seu mestre Wood Allen – “Poucas e Boas” de 1999 com Sean Pean excelente performance como o violinista Elmet Ray e suas esquisitices, tal como atirar em ratos no lixão ou ver os trens passando (Sr. Com gosta de ver os navios ao largo da baia de São Marcos) e Samantha Morton no papel da namorada muda – é sensacional – Wood é Wood – Sr. Com o admirou primeiro como escritor Wood Allen ao ler em 1980 “Cuca Fundida” e foi o mestre que o instigou a reler “Memoria Postuma de Bras Cuba” de Machado De Assisi com outro olhar ao classifica-lo entre os melhores romance do século XIX – Depois um documentário sobre a peregrinação de uma solitária monja budista tibetana pelos principais mosteiros em busca das Yogis – deixando-o tão impressionado que até sonhou.







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