O mundo do sr Con - 03/04/2026

Data 03/05/2026 21:06:02 | Tópico: Textos

Dimanche, 03 de maio
Dia de agua e chuvisca sobre a Vila Embratel. Seu Pietro chegou ainda pouco e o sr. Com deu-lhe um chá de cadeira, esperando por quase meia horas para liberar o computador.
Sr. Com tomou um bom café e um pão com ovo frito, que fez aproveitando a saída da majestática sra. Vince ao mercado. Apanhou os pães cedo. Enquanto digitava seu texto de ontem, ouvia a divina diva grega Maria Callas que aprendeu a amar depois que leu sua biografia que pegara emprestado na biblioteca da Deodoro ano passado. Que vida! Amiga de Pasolini e de Vittorio de Sica e amante do fulero do Onassis que a humilhou trocando-a pela bela e chic Jackie, viúva do presidente americano Jonh Kennedy – Engraçado no livro de Philip Agee sobre a CIA não menciona o assassinato dele em novembro de 1963.
- Professor, Filosofo – grita um rapazote do outro lado da rua acompanhado pelo serelepe filhote.
Sr. Com sentado no terraço lendo “Catarina” levantou-se para reconhecer quem era, mas não conseguiu lembrar-se, então agradeceu saudando-lhe com a mão.
Uma das gatas sentada sobre o traseiro na tampa concretada da fossa asséptica lambe suas partes intimas, depois deita-se de lado e faz o mesmo com as patas dianteiras, tudo sob o olhar sereno de Mr. Tom, o novo gato agregado da pensão. O negão barbeiro e segurança apressado com uma sacola e ex-concunhado do ator Auro Juricê. A sra Vince com sua calça florida e o cigarro no bico joga a mangueira plástica no terraço e vai dar um curiada na rua debruçando-se sobre a mureta e entra de volta. Os evangélicos com sua bíblias vindo da escola dominical. Felpuda depois de farejar a calçada deita-se no asfalto morno da rua. Quatro pombos ou pombas arrulham nervosamente na beira do telhado do PM em frente. A gata que antes deitada sobre a mureta, desceu num pulo só e vem arranhar o caixilho da porta. Da cartela de ovos que o sr. Com comprou semana passada a maioria tá podre, obrigando a sra. Vince mandar comprar meia dúzia. Agora são sete na beira do telhado do PM, esperando as sobras do arroz dos caninos que a Sra. Vince bota na calçada.
Missão cumprida – Recolho-me com meus trecos (Catarina e as folhas de Chamex) para os meus aposentos.
O desespero na hora do almoço dos felinos na cozinha da pensão Vince.
- Parem de brigar vocês também – ordena severamente a sra. Vince para eles.
O banho rejuvenescedor no quintal, a laranjeira carregada de futuros frutos, o Sr Com os aguarda ansiosamente, adora uma laranja como sobremesa.
- Não é para ti não – grita a sra. Vince – Tá no teu caco, mas não é para ti – e vai despeja-lo na calçada.
Essa nova vizinha do lado, prima do mestre Marciobomba é problemática, chegada um barranco – Uma Vanolia da vida – concluiu o poeta, depois de dar-lhe o bom dia e ela nem olhou ou disse alguma coisa.
Colocou quatro ovos para cozinhar.
- Eu achei qu’ela era sapatão – conjecturou a Sra. Vince abrindo uma lata de Glacial.
Levantou-se, deixou Catarina dentro da rede e foi ver os ovos, a agua quente borbulhava impiedosamente. Estava ansioso. Minutos depois apagou o fogo e os levou para a lavanderia, onde os descascou e somente um estava estragado. Almoço arroz, feijão requentado de ontem-ontem, macarrão, carne de panela e um dos três ovos. – meia hora depois ingeriu a nona drágea de Tanduo.
No meio da tarde, despediu-se da grande Catarina grande e os seus doze amantes – a corte parecia um romance de Balzac a cornagem rolava era certa e consentida, começando pelo casal real. Sem duvida uma grande mulher grande. Ele pensa em devolver-lhe amanhã... é isso ai, poeta





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