O mundo do Sr. Con - monday

Data 04/05/2026 20:33:08 | Tópico: Textos

Monday, 04
Nilson, o podador cumprira o prometido, deu uma geral na frente da oficina, capinando na roçadeira a gasolina todo o mato que vicejava na calçada. Little fat subira na garupa de uma moto-uber.
Na farmácia de beto Bacamarte na esquina da avenida Sarney filho com a rua 21 – a construção em andamento sobre a laje, armação das ferragens e suas fôrmas – o velho Esquel de guerra, malandro da velha guarda, elevado a ajudante subia na escadinha de madeira na parede do fundo, ao lado do terraço da sogra de Juvan.
Mais embaixo na mesma avenida, Mariano, o carroceiro maneta, também conhecido como Marujo sentado num banco no meio da calçada em frente ao deposito dos andaimes de seu Asterix, esperava um cliente – a carroça armada na rua 22. Na mesma sequencia, Seu Poluca e Seu Jojó e seus dois heterônimos conversavam amenidades em frente a casa do primeiro.
Sr. Con sentado nos degraus da filha do finado Biné Galinha Magra – esperava pacientemente o ônibus e entre uma palavra escrita e outra, tentando inventariar a manhã, pausava a atenção para ver se vinha algum coletivo que o levasse ao centro, mas propriamente a Deodoro, para devolver “Catarina, a Grande” a biblioteca.
“Fechei e abri a porta para o sr. Vince, sai e voltar de sua caminhada e da compra dos pães – entre 5:30 e seis horas. Voltei ao berço para reler “Baudolino” do mestre italiano Umberto Eco, autor do icônico “O Nome da Rosa” – que tinha e emprestou para um amigo que estava preso na Delegacia da Cidade Operaria, era comissário de policia e respondia um inquérito administrativo por apropriação indébita e uso de uns objetos apreendidos. Foi absolvido e morreu anos depois no incidente em cumprimento do dever – e nunca devolveu o mesmo, que o poeta comprara numa banca de usado num das Feiras de Livros da Cidade. O banho no quintal, enxugou furiosamente as frieiras dos pés, leite de Rosas no corpo e o desodorante “Suave” nas axilas – enverguei a camisa domingueira do Moto Clube e com a mesma bermuda que dormira (também descosturada no traseiro) saiu para o sol. Na Praça das Sete palmeiras, Vila Embratel,a figura solitária de seu Raimundo zarolho e sua parceira a Monark pitava uma careta.
- Tu não sabe de nada, por isso que não gosto de falar contigo – esbravejou por que sr. Com não o olhou de frente – Vocês tudo é uma molecagem. Mas, barbudo hoje é 4 de maio, mês de maria?
- É , sim senhor.
- A minha cabeça me trai – ficaram alguns minutos conversando e então Sr. Com lembrou-se que aquele cidadão estava imortalizado no seu “Mundo do Sr. Com
Na padaria Renascer apanho os dois pães pago adiantados e na volta perto da terreiro encontro Tia Neneca ainda careta – Fala Dona Maria das Neves – e ela não respondeu nada, geralmente manda ele tomar no c¨¨ .
Ônibus finalmente descia e o poeta correu, fazendo-lhe sinal para parar na parada em frente a mercearia de Gordilho.
Na biblioteca devolveu Catarina, a grande e apanhou as memorias do mestre peruano e prêmio Nobel Mario Vargas Llosa e sua encantadora Jane Austen “Razão e Sensibilidade” -pensava em trazer “Cerimônia do Adeus” de Beauvoir, desistiu depois de ler as primeiras páginas, muito enfadonho e filosófico, o que não é a sua praia.
To Be vendia água mineral, conheciam-se da Vila Embratel. Até vendeu uma água enquanto To Be foi buscar uns cocos no deposito. Pegou um Gapara e desceu no terminal da Praia Grande de depois de esperar alguns minutos embarcou num Paraiso-Via Bacanga e deu um balão pela Areinha, Liberdade, Camboa, atravessou o rio anil pela ponte Bandeira Tribuzzi, Jaracati – O campus do Uniceuma no Renascença e a avenida Collares Moreira, São Francisco, Ponte Sarney e terminal e decolou de volta a Vila Embratel e todo tempo deliciando-de com Vargas Llosa. Uma infância terrível, o pai apesar de abstêmio era muito mal e espancava tanto ele como a mãe. Coisa triste. Almoçou o ultimo ovo da cartela de Zé Branquinho, de trinta ovos apenas dez estavam bons. Ah! Ladrão.







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