Vilarejo

Data 05/05/2026 21:22:40 | Tópico: Prosas Poéticas

O vilarejo da juventude sonha como quem respira, sem perceber, sem pedir licença.
Ali, tudo parece nascer de um sopro: o cheiro de padaria quente, a poeira dourada que dança no ar, o rumor das manhãs que se abrem como um livro antigo.
Os jovens caminham pelas ruas estreitas com a alma acesa. Carregam nos bolsos pequenas centelhas: um desejo que ainda não tem forma, uma coragem que mal aprenderam a nomear, um brilho que insiste mesmo quando o mundo parece grande demais.
As janelas, sempre entreabertas, deixam escapar murmúrios de futuro.
E cada casa, com suas paredes gastas, guarda um segredo: sabe que aqueles passos inquietos não ficarão ali para sempre, mas, ainda assim acolhe, como quem segura água nas mãos só pelo prazer de sentir o frescor.
As tardes chegam com uma luz que parece inventada.
Os meninos sobem nos telhados para ver o horizonte, não porque esperam algo, mas porque pressentem e as meninas trançam histórias no vento, e o vento, vaidoso, leva cada palavra para longe, como se quisesse espalhar aquele sonho pelo mundo inteiro.
No vilarejo, até o silêncio tem música.
É um silêncio que pulsa, que promete, que guarda o instante antes do voo.
E a juventude, inquieta e luminosa, cresce dentro dele como uma chama que não se apaga.
Porque ali, naquele pequeno lugar que cabe na palma da memória, o sonho não é fuga, é raiz.
E cada jovem, ao partir, leva consigo um pedaço de céu que aprendeu a inventar.




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