O Mundo do Sr. Con - 13,14,15 de maio 2026

Data 16/05/2026 12:12:50 | Tópico: Textos

Quarta-feira, 13 de maio – Dia da abolição da escravatura pela princesa Isabel – os afros descendentes não comemoram mais essa data, acham indigno serem libertados por uma branca – preferem cultuar como libertador Zumbi dos Palmares – ora veja.
- Seu Constantino, hoje o senhor vaia fazer o pregão – avisou-o o secretario do Juizado Especial Civil e Criminal do João Paulo no seu terceiro dia de expediente. – Pregão? O que é pregão? – perguntou aturdido – Bem isso é assunto para o terceiro capitulo de “Processos na mesa’ que pretende escrever a sua experiencia de três anos como funcionário publico naquele órgão do tribunal de Justiça.
- Cada dia aumentando, aumento o feijão – lamenta a sra. Vince para o marido – Hoje não vou fazer feijão, ontem fiz um kilo, comeram tudinho – é a litania diária, reclamar de tudo de todos – Uma extravagância! E de repente muda o foco para seus animais: - Não toma, não que de dou uma porrada – ameaça inocuamente a estabanada da Little Black querendo avançar nos pães dos gatos que o marido joga no chão enquanto toma café – Pra isso que tu já deu? – grita – Vem com tua nojeira para cá, vou pegar o meu cipó. – e nunca pega.
O céu fechado como nos invernos siberianos. A jovem mãe levando o filhote para o jardim de infância. A sra. Vince na lida de todas as manhãs, limpar e lavar a sala do computador. O sr. Vince depois do faustoso café se recolhe aos seus aposentos, liga a televisão e deita-se na cama do casal.
-Sai cachorro. Sai cachorro! – grita o pixixitinho da casa em frente, por trás do portão de ferro para um teimoso cão vadio que teima em descarregar um barro próximo a porta – Sai cachorro! Sai cachorro! – ainda trajava a calça de seu pijaminha.
Assim como Joyce, Vargas Llosa passou um tempo como bancário em Lima aos 17 anos um emprego que o seu austero pai lhe arranjou.
- Seu Constantino! – ouviu uma voz chamando de algum lugar ao longe enquanto arriava a porta de rolo. Passou e trancou os cadeados e ouviu com mais intensidade e seguiu a direção dela. Era o mestre Guilbert chamando-o da janela de seus aposentos no andar superior da casa dos pais – Vai lá na porta (no começo darua 23_ O coração do poeta disparou e atravessou correndo a estreita pista da pseuda avenida e entrou na rua 23 e postou-se diante do portão de três folhas que fizera no passado. Esperou alguns minutos. O mestre Gui abriu a porta e saiu sem camisa r se aproximou-dedo portão.
- Olha seu Constantino – e entregou-lhe uma tira de papel com o seu velho e.mail bloqueado há mais de ano – Essa é senha nova e tem mais de seiscentas mensagens não lidas.
Será que desta vez vai dar certo mesmo? Essa é a segunda vez que o mestre Gui desbloqueava o mesmo e.mail – Antes lia Vargas Llosa e começara a esboçar o terceiro capítulo de “Processos na mesa”
Na rua 17 (a rua dos cabarés conforme a visão radical da venerável Sra. Vince), o reggae roots embala a sonoridade do meio-dia, vindo do bar de Charmille.
- Vai embora – disse ao despedir-se de uma de suas habitués para o outro solitário cliente que bebia balançando a cabeça no ritmo jamaicano e jogou o resto da cerveja na sarjeta.
O poeta com duas doses de vodka na cuca grita para o acolito do pastor da Igreja Universal na sua cargueira na luta entregando agua. O fuleiro do Charmille negou a dar o nome do cantor do reggae.
- Vai te lascar pra lá!- resmungou.
E mama gostosa chegou agressiva na loja do filho e o poeta com o copo plástico cheio de vodka voltou para a pensão. E a decepção: o e:mail não abriu. Tudo bem- o poeta inseriu a nova senha dada por Guilbert e foi recusado abruptamente – bacana – tentou varias vezes e nada. Então explodiu: Vão se f* e desconectou-se.
A noite no you tube conheceu o compositor judeu-americano, o bem humorado Marvin Hamlisch, autor de varias trilhas sonoras famosas e o único a ganhar três Oscars num noite em 1974 – autor de “Chorus Line” musical que estourou na Broadway e no mundo – musicou alguns filmes do genial Wood Allen.
Antes de dormir concluiu “Razão e Sensibilidade” da divina mestra Jane Austen – foi o seu primeiro romance ambientado no século XVIII – mostrando a dura realidade da época a respeito das filhas solteiras, ela mesmo foi uma das vitimas. O poeta possuía “Orgulho e Preconceito” deu de presente para a filha pintora de Juvan
Quinta-feira,14
O serralheiro e mestre Bardaux ou Seu João apareceu quase no final do expediente, querendo começar o trabalho. O poeta procrastinou e o reformou para amanhã cedo. Guilbert veio e o poeta devolveu-lhe a tira do papel com a senha.
- Senha incorreta e não abriu, fiz várias tentativas.
Levou de volta e prometeu solucionar antes das onze. O poeta não está nem ai – perdera todas as esperanças de acessar o seu e;mail, por que ficará nessa fuleragem, como acontecera com as dezenas de contas que abrira no ano passado e finalmente desistira de ter um e;mail e sobreviveu o mesmo acontecera com seu face. Porra para eles.
Não é que antes do encerramento, mestre Guilbert voltou com uma senha nova e até abriu no seu celular o e;mail e caixa de entrada com mais de sete mil mensagens não lidas – fiquei feliz ao vê-las e confiante, que dessa vez vai dar certo.
Nove castanhas na bíblia branca do comandante Lasierra ou seja noventa doses de vodka a um real. Ferrou quatro reais de Gordilho. Dezão caiu nas ‘aguas que passarinho não bebe’ e abasteceu-se com duas gorotinhas de “Gostosinha”, leite e outras coisitas e enfurnou-se no seu cafofo – antes deixou duas diazepan@ para o poeta empanzinar-se e o mesmo as esquecera no atelier.
- Hoje eu não vou na porra do Popular. Vou merendar conforme aparecerem as vendas – saiu capengando com seus quase dois metros de altura e voltou trazendo três laranjas, as fatiou e as comeu sem oferecer nada ao poeta.
As doze e meia o poeta aproou para a pensão, passou na frutaria das irmãzinhas do barbeirinho, na parte externa do mercado na avenida Sarney Filho e apanhou as três laranjas que pagara adiantado horas antes – o odor dos cheiros verdes que Zeca manipulava separando joio do trigo e descartando no balde, deu uma vontade no poeta de cata-las para uma boa salada, mas o bom senso o regulou e assim atravessou o calmo estreito de Ormuz – um copo na mão e a sacola das laranjas na outra.
Na pensão, uma boa surpresa inolvidável, o AR(Aviso de Recebimento) da Editora Patuá de São Paulo – enfim uma bola dentro. Sr. Vince chega chumbado e vai para o berço, o poeta aliviado e feliz banhar-se no quintal – desde abril a carta com seu “Mundo do Sr. Com” está na editora.
Minuto depois, o mal humor da Sra. Vince, achar que tudo se resume a dinheiro – Money, Money – eu perdendo tempo enviando essas besteiras, quando devia era tá batendo ferro – mas o poeta é um artista e a felicidade em saber que original está numa editora e quem alguém já leu ou vai lê-lo – isso o deixa acima do chão. Aceitando ou não, a vitória é do poeta, enviando um rebento seu – Para compensar foi ao Lasierra apanhar mais meio copo e desabafar para o amigo a novidade e esse o alertou:
- Mas não vai te apaixonar por ti mesmo.
Friday, 15
O bolo de chocolate que ganhou de Ed Paul ontem a noite desregulou o seu intestino e de manhã cedo deu uma evacuada ralíssima ou melhor liquida. O e-mail não abriu, mas em compensação o AR da Editora Patua embelezou o final do dia. Dezão sem camisa, com seu enorme corpão com a bermuda no redengue deixando a mostra o seu cofrinho rumou para o Gordilho abastecer-se antes que os pais abram o deposito e o poeta aproveitou para pegar o café.
Tudo no ponto a espera do mestre Bardaux. Um comprimido de Santiazepan@ 10mg com café para apaziguar a sua ansiedade.
Pontualmente as sete e meia, o mestre e serralheiro Bardaux chegou com suas tralhas de serviço e sem perda de tempo meteram bronca – ele cortando os ferros na maquita e o poeta os desempenando – depois a solda dos quadros e o poeta torcendo as barras e antes das onze tudo pronto. O poeta feliz a meta cumprida com o auxílio luxuoso do mestre – fez lhe lembrar dos bons tempos quando exercia a profissão com garra – mataram numa manhã duzentos ‘pacotes’ – meio-a-meio. Agora esperar a boa vontade de Juvan.
No lasierra as doses de sempre com as conversas triviais de sempre e as castanhas passando das dez ou seja cem reais. De volta os seus aposentos, olhou o AR e ficou viajando – lembrou de Martin Eden do mestre London – ainda resta três – uma aqui a 7letras e duas italianas – é isso ai, viva Bach! Um bom filme com Gregory Peck e Lauren Bacall em – “The Portrait”








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