
Ao meu amor bastardo,
Data 18/05/2026 23:46:00 | Tópico: Poemas
| Semana a semana, mês a mês, ano após ano. Ele não se apaixonava por ninguém; apenas vai por aí, despindo mulheres como quem abre portas de casas sem querer, realmente, habitar o que há por dentro. Ele era tão fofo com seus bichos, com sua cria... Além de ser lindo, claro. E eu me perguntava como alguém daquele tipo afetuoso conseguia ser tão frio em tantas situações. Eu tinha inveja daquela frieza; admirava-a tanto. Queria poder beber daquela força sem me perder de mim, como parecia já ter acontecido com ele. O som que não saía parecia um grito aos olhos desnudados. Olhei para a pele alva e vi um rio de veias. Como era possível eu amar aquele ser? Vi o *Drácula* esses dias e queria te contar, mas sabia que você não merecia saber — nem sequer ia querer. Há tantas vulvas por aí que ouvir qualquer história singela de uma mulher com ideais platônicos de adolescente soaria até ridículo para você. Afinal, para o seu mundo, "quantidade é melhor que unidade". Na unidade, para você, há uma certa estagnação; na quantidade, há movimento, e é assim que o seu ego sobrevive firme e forte. Afinal, ninguém te vê na multidão. Não há medo. Não há exposição. Deixa estar. Fique bem. Fique com todas, até perceber que todos os vazios que você preenche nelas são exatamente iguais ao que você carrega no peito.
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