
O Mundo do Sr. Con - monday
Data 26/05/2026 12:38:50 | Tópico: Textos
| Monday, 26 Se não tivesse cagibado de tanta dor, pegaria um ônibus para o Terminal da Praia Grande – lá teria três opções. Estava na parada da Deodoro – seu Chico pedreiro aposentado e a sua inseparável esposa embarcaram num Olho D’água. Não tenho pressa, cada movimento era uma dor lancinante no flanco direito do abdome – que nódulo desgraçado – injuriou-se – Tudo dando certo, sacou o recurso na Caixa Econômica da Deodoro pela primeira vez e o caixa eletrônico deu-lhe dinheiro trocado. Na biblioteca, uma guerra para subir a escadaria, segurando pelas paredes, como sempre acontece nas segundas, o sistema fora do ar, mas a funcionaria fora complacente, calculou manualmente a multa, que quitara de imediato e assim pode pegar três Josués Montellos: “Janelas fechadas”, “Camarote Vazio” e “Uma Varanda sobre o silencio”. As onze e meia chegou na pensão, com o troco da multa comprou três laranjas e veio pelas tabelas, se acabando de dor, ansiando perdidamente pelo conforto de sua fedorenta rede. Pela manhã cedo, a caminho da padaria. Na Praça das Sete Palmeiras – as primeiras barracas de palhas montadas parcialmente e outras apenas a armação e aos poucos formando o arraial dos festejos juninos. Podaram algumas arvores, os feixes de palhas a espera de serem despetalados – enfim o burburinho clássico das manhãs pré-juninas – as batidas dos martelos, a serra das maquitas, ao arrulho nervoso dos pombos sempre famintos, os saltitantes pardaizinhos e uma bela e solitária rolinha muito elegante. O poeta sentara-se para o seu banho de sol e ficara chateado por não ter levado suas folhas para tomar suas impressões – uma semana sem sair da pensão – no ar bucólico o odor anestésico dos excrementos dos bovinos ainda espalhados pelos canteiros, um céu azul e sem nuvens como os quadros de Magritte. Agora deitado lendo “Janelas fechadas” e depois de uma só deitada leu “Camarote Vazio” – Aos quinze anos, o poeta queria escrever, mas não sabia o quê e como – ao assistir uma entrevista do mestre conterrâneo da rua dos Remedios na antiga TVE – não teve duvida, encontrara o seu norte, primeiro na poesia e agora na prosa – O que lhe encabula, é que nos livros de literatura nunca citam o grande romancista – falam de todos, menos do mestre. Por quê?
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