
Traída por Mim
Data 27/05/2026 01:00:01 | Tópico: Poemas
| Traída por Mim
Fui traída. Traída por mim em acreditar.
Acreditar em um amor depois de tantos “eu te amo” sobre copos.
Fui traída por mim em acreditar em seus olhos, na doçura de suas palavras, nos gestos gentis, nas lindas músicas românticas.
Fui traída por mim em acreditar que me amava, que me desejava.
Todos os sinais tão visíveis a olhos nus.
A falta de atração física. A falta de presença. As desculpas. Os tantos afazeres. Os tantos compromissos.
Uma ligação. Duas. Três.
Todas rejeitadas.
Por um compromisso. Por falta de ver. Por falta de ouvir. Por falta de crer.
Um amigo. Uma amiga. Um cliente. Uma social.
S O C I A L I Z A R.
Afinal, cadê nosso olhar?
Mas um copo. Dois. Três…
Sequência.
Contacto?
Depois de dois, três… pausa.
Romance intermitente.
Calor? Não depois de dois, três…
Já não há calor. Sabor. Ardor.
E eu…
Definhei. Desejei. Decidi. Deduzi.
Quero amar.
E quem sabe se eu…
Um copo, ou dois, três…
Ah, não dá.
Não sou eu.
Talvez não haja nós.
Me iludi. Ou estraguei tudo.
Vamos deixar assim.
Condiz mais com o que veem de mim.
Ah, doce vítima. Doces circunstâncias.
Não, nobre caro observador.
Doce roda. Rude roda.
Ah… livrei-me da roda.
Não tive amor. Tive, talvez, dor.
Mas arrotei, falei, e salvei-me da mentira disfarçada de realidade.
Preservei-me.
E dessa roda não levo talvez o amor,
mas levo a certeza de quebrantar o dissabor.
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