
A alquimia do amor.
Data 29/05/2026 11:03:55 | Tópico: Poemas
| Às vezes, penso que comecei a escrever para não sufocar.
Como se transformar dor em linguagem fosse a única forma de continuar habitando meu próprio corpo.
Porque existe um cansaço profundo em sentir demais e não encontrar eco no mundo.
Durante muito tempo, minhas palavras foram só isso; um lugar onde eu podia respirar, organizar o caos, e tocar, ainda que de longe, aquilo que doía em mim.
Mas algo muda quando alguém realmente lê você.
Não “consome”. Não “passa os olhos”. Lê.
E, nesse instante, acontece uma coisa quase sagrada, a sua dor deixa de existir apenas dentro de você.
Ela atravessa.
Encontra morada em outra consciência.
Encontrei a minha morada noutra consciência. Foi nesse exato momento que tu me encontraste.
Eu também escrevia para não sufocar, mas as minhas palavras eram nuas, como uma cidade cinzenta onde os meus demónios insistem em sufocar-me.
O meu corpo é um vazio de amor, espera desesperadamente, que o tempo perdoe a falsidade de outrora. Mas quando a tua dor atravessou a minha, a minha alma despertou. Despertei para um sentimento que nunca sentira, não foi apenas amor, foi porto de abrigo.
Descobri que o meu caos, afinal, não era único. Era o mesmo que o teu.
A minha metade encontrou o teu rosto naquela neblina soalheira. Gritava por ti, querendo, ferozmente, ter-te ao meu lado.
Agora, este amor já não guarda segredos solitários. Somos duas sombras que aprenderam a sangrar na mesma página e que, ao partilharmos as nossas letras, apaixonaram-se por esta singela leitura. Este poema foi escrito por: Dante Belmonte e Letícia Souza
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