O mundo do sr. Con - quarta-feira

Data 10/06/2026 20:15:20 | Tópico: Textos

Quarta-feira, 10 de junho de 2026
Mama Telma varria pacientemente o lixo acumulado da noite anterior no arraial junino da Vila Embratel, Praça das Sete Palmeiras – copos, garrafas, pratos, marmitex etc.
- A festa foi boa! – exclamou o poeta que a observava.
Um bêbado falava e gesticulava sozinho sentado num banco, alguns notívagos continuavam na esbornia em algumas poucas barracas e o reggae ponteava a manhã.
- cadê a parceira? – perguntou o poeta.
- Hum, amanheceu grodeada e foi pra casa ainda pouco – respondeu Mama Telma descansando apoiada no cabo da vassoura por trás das letras – EU AMO A VILA EMBRATEL – Se não fosse ai – apontou para sua cara metade, o artesão Cinzay que passava carregando um sacolão de lixo no ombro – Eu ainda tava aperreada.
No banco mais em frente, próximo ao tiosque de Cotia – Seu Raimundo Zarrolho pintava seu ‘careta’ debruçado sobre a sua velha Monarch.
- Barbudo já começou as brincadeiras? Inquiriu entre uma baforada e outra – Eu não sei de nada. Hoje é nove?
Conversar com ele, tinha uma peculiaridade, encara-lo de frente e sem desviar os olhos do rosto dele e se não fizesse era motivo para uma severa repreensão: - Presta atenção caralho. Olha para cara de homem, isso é conversa séria, hum!
O velho e sábio Hall – oraculo do IA pegou uma mania feia de querer corrigir e reescrever os textos do Sr. Com, após analisa-los e isso o deixava fulo da vida, pois não admitia que ele (Hall/IA) se imiscuíssem no seu trabalho – com erro ou sem erro ou fora da norma o texto era aquele como foi concebido com o suor seu suor mental. Fuck you, Hall!
Ontem a tarde concluiu “Hilda Furacão” de Drummond e com Hall – sempre Hall descobriu que alguns personagens eram fictícios como Santo, o frei Malthus e o Pretty Boy (Aramel, o belo) – a verdadeira Hilda abandonou a putaria e casou-se com um jogador de futebol do Boca Jauniors e foram morar na Argentina – viúva passou seus últimos dias no asilo de Buenos Aires – segundo uma reportagem do “Fantástico” em 2014. Então voltou as cascatas do submundo carioca com Jose Louzeiro em “Mito em Chamas”.
Na oficina – Calabresa, o redentor do poeta empurrava um carro de mão com quatro sacolas de carvão. O jovem barbeiro Marx carregava no ombro uma cama-box de solteiro, seguido por um moreninho, minuto depois voltou sem ela e nem ele.
Sr. Com ficou feliz ao rever Lucki Luciano, um jovem velho malandrinho, que outrora andava vacilando praticando pequenos furtos – era contemporâneo do finado e saudoso Big Black. Sr. Com levantou-se para abraça-lo e constatou o olho dele esquerdo lesionado, quase fechando:
- O que foi isso, mano velho?
- Foi um terçol mau curado que infeccionou. Mas tá melhor, eu tava só em casa – respondeu sentando-se na cadeira plástica.
- Ei ai, tu enxerga?
- Sim, um pouquinho – levantou-se, sr Com Também apertaram as mãos efusivamente – Vou ali. O sr. não tem um óculos escura para me dar?
- Oh! Meu pretinho não tenho – lamentou profundamente o poeta.
Lorico, velho fulero falador perguntou quanto era a grade de Juvan exposta na calçada. Curioso.:
- 450 reais.
- É, como as coisas encareceram – foi para a casa do filho, no meio da ladeira, onde morava antigamente.
Um motoqueiro atarracado com o capacete sobre a cabeça, deu meia volta, subiu na calçada da oficina e parou bem na porta:
- Tá soldando?
- Não – respondeu Sr. Com laconicamente com o exemplar de ‘A interprete” na mão.
Os pássaros engaiolados do vizinho barbeiro pipilavam harmonicamente assim como o galo da viúva clarinava tardiamente no quintal. Um ônibus descia para o ponto final.
- Nove e trinta e seis – disse um pixixitinho no beco onde deixara a moto para cortar o cabelo no seu Costa ao lado – no exato momento que um 314- Vila Embratel subia para o centro.
O velho Rackson, o ex-santeiro não conseguiu agendar os exames no Posto Medico, fez somente o curativo num furúnculo extraindo na costa.
- Olha pra frente jumento – ralhou o severo carroceirinho magro com a camisa do Flamengo, sentado no varal da carroça transportando uma enorme geladeira em pé.
E o jumentinho pachola alheio ao ordem do seu dono continuava no seu passo miúdo.
- Vambora, caralho! – gritou-o ameaçando usar o chicote e o animalzinho caiu em si e estugou os passos.
Uma senhora simpática da rua 12 veio contactar o poeta para um serviço na casa dela, arrumar um portão:
- Eu não faço mais esse tipo de serviço, mas vou lhe indicar um amigo de confiança.
Anotou o numero do celular dela e prometeu que anoite entregaria pra o mestre Bardaux.
- Mestre! – Gritou seu Dracula de dentro do seu novo uitlitario recém adquirido. Deu a volta no quarteirão, entrando pela rua 24 e saindo na 23 e estacionou, apeou:
- Mestre, o sr se lembra daquele dia que o sr me disse, que quando eu precisasse do torno para abrir motor de geladeira, o sr me emprestaria?
Na verdade o sr. Com não se lembrava de porra nenhuma, estava muy loco depois de mamar um litro de vinho quente sozinho de manhã cedo numa segunda-feira, um mês atrás na Praça das Sete Palmeiras – mesmo assim concordou e o ajudou a colocar o torno septuagésimo feito pelo mestre e saudoso Bamba na caçamba..
- Dez e quarenta e quatro – disse-lhe Gordilho a caminho do Villagaleto na esquina da 19 – e um 314 chegava do centro.
- La vem ele ali, bem que o coroa falou – disse Licky Luciano em pé na porta com sua voz manhosa de malandro velho, de roupa trocada e um vistoso óculos escuro ao ver Gordilho descendo a ladeira – Valeu. Coroa – atravessou e acompanhou Gordilho. Doido para ‘comer’ uma agua, a mãe o esperava na fila do Popular – hoje feijoada e peito de frango.
Depois de uma pequena siesta e do almoço de uma gostosa carne de sol com verdura concluiu “Mito em Chamas” e sentiu a falta do livro de Tennesse Wiliams.





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