PASTO SUJO

Data 12/06/2026 19:05:43 | Tópico: Sonetos

PASTO SUJO

Ao longo de vertentes desmatadas,
S’elevaram mil lápides d'argila.
São cupinzeiros secos quase em fila
Por sobre troncos d'árvores cortadas.

Algures, braquiárias inclinadas,
Enquanto um vento gélido sibila…
Já ronda seriema, alta e intranquila,
Sem vacas a mugir nas invernadas.

Ora terra maninha; outrora mata,
A propriedade tem a face ingrata:
Campos desarvorados, afinal.

Por fim, andar por entre termiteiras
Faça pensar nas eras derradeiras,
Diante d’um cemitério florestal.

Brumadinho - 06 06 2026




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