
A Mesa Posta
Data 14/06/2026 09:55:44 | Tópico: Poemas
| Bebo café. Penso no seu nome. Parece que todas as xícaras de café têm o seu nome gravado. Comprei um livro há alguns meses e comecei a lê-lo. Conta a história do café e é bastante técnico, assim como você. Mas me entedia, como você deve imaginar. E mesmo que eu leve muito tempo para lê-lo, porque é chato, levo-o comigo debaixo do braço, como quem leva alguém perto do peito. Ontem o Brasil jogou contra o Marrocos e eu nem parei para assistir. Eu amo amarelo, mas prefiro assistir aos jogos quando são da Liga dos Campeões. Fiz bolo e torta esses dias. Fiz tudo ao mesmo tempo para comer como quem tem fome de doce. Não há muitas bocas que comam o que eu faço, mas cozinho, às vezes, como quem faz para uma família imaginária. Monto a mesa, coloco Nina Simone para tocar, sento-me e como sozinha. Espero que você chegue em casa como quem vem de uma guerra e traz na bagagem mil histórias para desculpar a sua distância. Ou o seu silêncio. Mas não espero vestida. Normalmente, coloco um espartilho preto, que sei que é a cor de que você gosta. Uma meia 7/8 e um salto agulha. Desses que posso usar para te magoar como vingança. Sim, é assim que fico. Como uma pintura do Jack Vettriano, mesmo sendo, na verdade, uma de Edward Hopper. Pois bem, não sei o que fazer. Você não vem. Eu também não vou te mandar mensagens. Continuo seguindo a vida como se fôssemos um casal imaginário. Às vezes conheço alguém. Mas não sei, não consigo me apaixonar. Talvez eu seja um pouco Isabelle Huppert no filme A Professora de Piano, querendo ser Rachel McAdams em Questão de Tempo. Que seja. O fato é que você não está aqui em nenhuma dessas situações.
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