O mundo do sr Con - Domingo

Data 15/06/2026 21:15:47 | Tópico: Textos

domingo, 14 de junho de 2026
01:00 – Um cantor brega animado e expansivo começa a despedir-se – Vou fazer a saideira e depois o boi do Maracanã.
Batalhão pesado do boi de Maracanã na Vila.
“A mulher que já foi traída pelo caboco safado, que levante a mão – conclama o cantor – essa é a minha saideira – vem o boi de Maracanã – anuncia pela undécima vez:
“Juntos e abraçados com você / Voce é tudo aquilo que sonhei / Esquecer o mundo e sonhar” – Parabéns para a galera do som – e finalmente encerra.
- Uma salva de palma para Denis Fraga, o maior brega do pais – pede o locutor.
“Quem tiver com as matracas que vem prá cá – pede alguém do boi – Essa é a terceira apresentação do boi de Maracanã – o tambor onça ronca. Microfonia. “Cadê a fogueira?” para afinar os bandeirões de couro.
“Vamos lá pessoal – indias, rajados e cabocos de pena – organiza o amo – atenção, matracas e pandeirões – o bicho vai pegar – anuncia a amo, filho do saudoso lendário cantador Humberto do Maracanã:
“Batalhão de ouro guarnece / que São João mandou” – as matracas e os pandeirões ecoam pesadamente na madrugada embratelina. O apito soa e outra toada puxada pelo mesmo cantador.
- Ei! Ribinha? Ei pessoal da frente abre para o boi desenvolver – pede.
Minutos depois de umas cinco toadas ou mais – para encerrar um clássico do pai, o lendario Humberto e a sua icônica toada “Maranhão, meu tesouro, meu torrão” – imortalizada na voz da nossa amada Alcione – e um grande coro eclode unissonamente.
E o sr. Com na copa-cozinha, lutando contra os inclementes mosquitos que o azucrinam enquanto ler Dickens.
“Batalhão de ouro/ eu vou levar / me espera um dia que vou voltar – encerra e orienta a tropiada para os ônibus, vão apresentar no Monte Castelo e em outros arraiás.
O locutor ( o que destronou o veterano radialista Collorzinho dessa função que ocupou por mais de trinta anos interruptos) despede-se, encerrando as atividades com um pai-nosso.
Duas horas da manhã – e terceira urinada do poeta, que sente ardência e a uriba fina – “Tenho que voltar a comprar o Tanduo@ para desinflamar essa bendita próstata e nada de álcool -pensou assim que saiu do banheiro.
02:45 – “Vou deita-me e tentar dormir”.
Manhã ensolarada
Mama Telma e a parceira na labuta de todas as manhãs no arraial – varrendo e ajuntando o lixo acumulado da noite anterior.
- Agora sçao sete horas e vinte enove aqui em Brasilia – anuncia o locutor da Senado FM – E nas “Cordas da Viola” com o menino Miguelucci e as antológicas modas de violas.
No canto da praça Sete palmeiras com a rua 17 – o palhaço Pirulito transvestido no honorável irmão Paulo prega as boas novas para ninguém. No estacionamento-calçada da Fribal da rua 16,o sr. dos porcos instalou com o ajudante a sua improvisada banca e aguarda sentado os seus clientes.
- Vou beber uma agua na torneira forçada, é o jeito – disse Mama Telma – numa barraca a bela irmã evangélica distribui santinho da salvação para os amanhecidos.
Sr. Com tirou as roupas de molho cedo, que deixara de molho desde ontem a noite – Tião Carneiro e Pardinho destila a beleza dos poemas caipiras de raiz.
- Porra, caralho! – grita uma bêbado que dormia deitado na arquibancada.
O Palhaço Pirulito ou o venerável Irmão Paulo exalta-se e mistura a bíblia com a politica: “Para contestar o seu direito e a bíblia diz “Não conformeis com esse século”.
- Cadê Telma? – pergunta a parceira olhando os petrechos da amiga sobre um banco.
O bêbado dorminhoco levanta-se ainda fusco e abraça um evangélico a rigor e aparteado severamente pela mãe Mama Telma – “ Em vez de me ajudar, tua tá é me atrapalhando”.

As abelhas e as moscas dividem as lixeiras do Terminal da Praia Grande. O pipilar dos pardaizinhos nas cumeeiras das plataformas. O ambulante limpando os óculos e o poeta embarcando num Araçagi pensando na praia, o melhor embalado pela uma sequência de reggae das antigas.
E na parada final e nada de praia. O imponente Mateus da área bem movimentado, o motorista dando uma descarregada de barro no sanitário do Supermecado , onde o poeta urinou. As onze partiram de volta ao centro, refazendo todo percurso por dentro de um bairro desconhecido até a saída na Ma que vai para a praia da Raposa. Avenida dos Holandeses em toda sua extensão do Olho D’agua ao Calhau. As venezuelas e seus hijos nas rotatórias – sensibiliza o poeta.
Doze horas – De volta ao terminal da Praia Grande e suas figuras – O Bispo do Rosario com seus penduricalhos e falando alto e ninguém lhe dar atenção, o poeta para e o ouve. Na outra plataforma uma beba agoniada, anda e gesticula. Um senhor joga resto de bolo para os pombos e o engraçados pardaizinhos. O poeta perdeu a caneta, mas achou seu Manoel, estivador do Itaqui, viúva, aposentado, namorador, dono de seis casa de alugueis - caminho da rua 2 na Vila Embratel fazer umas cobranças e beber uma cachaça som e peixe frito – Embarcaram num Paraiso-via Jambeiro.

Monday, 15 de junho
Num anexo da Santa Casa na rua do norte, em frente a praça da misericórdia = no CTR a espera de vez para o exame de creatina.
- João Lucas Gomes – chama o laboratorista.
A tomografia agendada para cá no dia 17, foi redirecionada para o dia 24 no Medical da Cidade operaria e é obrigando-o a fazer esse exame, garfando-o em 14 reais. Vindo da CEMARC da Alemanha, agendar os exames que o doutorzinho pediu – maldita burocracia tem que refazê-lo em dois.

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