Vocês, já repararam, como é seguir o instinto, perdidos num deserto, “como um cão sem osso?” Venham até mim, ó criaturas da noite, e eu vos mostrarei o que é morrer sem dor!... Aqui, todos os pecados são permitidos! Aqui, neste mundo obsceno e incaracterístico, só a dor mais persistente sobrevive!
Na noite mais obscura pratica-se o incesto, como que “caminhando nas mãos de um estranho” … E as crianças urram aos céus, num grito abandonado. Como é que, de entre vós, ainda permitis, que isso aconteça, nas vossas belas cidades e jardins, espreitando por detrás das janelas e da erva verde que grassa, num encolher de ombros, olhos postos na televisão persuasiva?
Por isso, Jesus, Te abandonámos, na troca de favores, por debaixo dos panos e de algumas moedas de prata, vomitando a bílis do ódio, congeminada traição - em terra de cegos quem tem olho é rei, e, a vergonha, tem por nome ‘medo’: inda pende a corda no folhame da Oliveira!
“Só o amor sobrevive, por debaixo da vaga!” Puro, seguramente incómodo, para muita gente, atordoada pelo seu toque sereno, da carne e do nervo, como que aflorando o sangue, que é vida vigente.
Venham, eu mostro-vos, é já aqui! Tendes antes de abandonar o vosso corpo e a mente, como que numa dança indígena, lá onde as florestas ainda respiram o ar puro das madrugadas, o oxigénio dos crédulos e dos inocentes, para que haja uma Luz… aqui!
Oh! impuros que maltratais as vossas mulheres e filhas, estendei vossos braços ao orvalho da manhã, para que os céus possam ser amenos.
E buscai, buscai o eco das montanhas, o vigor reconfortante e imorredouro, para que, assim, no vosso sacrifício, vos limpeis da incúria, preconceitos, estereótipos e padrões de virilidade (in)confessa.
Acho que estou com uma depressão nervosa. Cai-me uma lágrima pelo rosto, maturado por anos e anos de uma experiência de percepção, mas honesta e generosa, sem nada que esconder:
envergonharmo-nos do que fomos é não honrar o que somos e tudo quanto se aprende, no dia a dia de nossas vidas, vividas e incrementadas – pungentes!
“Oh! minha doce criança, abre os teus olhos”. Brincam borboletas nas tuas pálpebras cansadas, nos teus cabelos soltos, como brisa fresca na fina flor de teus lábios gentis.
Somente o amor vinga, viça a atenção!
Acho que vou descansar. Os braços, quais tentáculos da morte, já não me afligem, pois eu sei quem sou, cabeça inclinada pelo peso da cruz no pescoço…
Vós, que sois os donos de vossas vidas, retornai a Ele… e perdoai-vos!
Jorge Humberto 10/09/20
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