mundo do dr.Con - Dia de São João

Data 24/06/2026 22:31:19 | Tópico: Textos

Quarta-feira, 24
Peço ao pianista que toque Chopin “noturne” – prometeu procurar nas partituras em cima da pianola. O mesmo que o poeta viu no CTR da Santa Casa.
Todas as cadeiras ocupadas e a minha senha era a próxima. Beleza! Um friozinho gostoso. Ele finlamente toca e a musica amortece os meus ouvidos dos murmúrios abafados. O meu coração agradece e levantei para a surpresa dos presentes para agradece-lo.
- Não toque todo, mas toquei uma parte – desculpa-se meio sem graça.
- Mas foi muito bom.
Volto a sentar-me e sempre de olho no painel – bandeirinhas no clima junino. O jovem musicista é bom é bem aplausível, mas ninguém não está nem agitados preocupados com seus anseios dos exames que serão submetidos.
- Senha NU 7008 – Ultranassonografia – guichê 2.
O pianista talvez frustrado fecha o teclado, pega seu notebook e sutilmente vai embora discretamente e ninguém o apalude. Apenas o poeta o sauda com um alô..
Apanhou um 314- Vila Embratel em frente ao Gordilho e para sua sorte logo que desceu em frente ao Terminal da Praia Grande deu de cara com um Cidade Olimpica-Via Bandeira Tribuzzi que embarcou sem pestanejar. E quase uma hora depois estou aqui na asséptica sala da Medical da Cidade Operaria coma senha PT 6006 que peguei as oito e quarenta e cinco das mãos do gentil porteiro moreno e barbudo de terno depois de ouvir-me – entregou-me a senha – Pronto sr., agora só aguardar naquela cadeira vazia.
As cadeiras acolchoadas, não fere tanto as minhas magras nadégas – uma jovem bem atraente num modelito de costas nuas é chamada a acompanhar o pai – A cirurgia de catarata de Cardin é hoje, na mesma clinica que fiz a minha em 2013 – separo os meus documentos RG e o SUS e guardo os cartões de passagem e do recurso no bolso da bermuda na perna – o próximo PT serei eu – o cinco está sendo atendido.
Uma atendente chama uns dos pacientes a acompanha-la.
- Estou numa consulta, tá bom, te telefono de casa, tá bom? – desculpa uma voz feminina no celular atrás de mim.
Chamam PU, NU – mas o meu PT não.
Acho o encaminhamento para exame de sangue no dia 02 no APAE entre os outros. Separo e o guardo no porta cédula. As maquininhas de créditos funcionando por aproximação – Do meu lado uma jovem concentrada no celular vendo uns vídeos.
- Antonia Santos Correa!-uma senhora idosa levanta-se na minha frente e logo acompanhada pelo filho e desaparecem atras de uma porta da Ultrassonografia.
- Tiago Viera! -outro jovem com a mãe.
Sem poder resguardar-me vou ao banheiro bem asseado e alivio-me e volto e nem bem vou sentando vou chamado ao guichê 3 – mas parece que há um problema, a atendente foi até a supervisora – tudo ok – dai-me um crachá adesivo que coloco na camisa. O pianista apresenta-se apenas nas segundas, quartas e sextas, das sete as nove.
Mudo de lugar – tenho problema de audição e sento-me na primeira fila de frente para as pixixitinhas dos guichês. Ordeno os meus documentos junto aos encaminhamentos–ainda bocejo, efeito retroativo dos ansiolítico de ontem. Sou como o velho Burroughs, amigão de Keroauc que gostava de qualquer tipo de drogas químicas e naturais – nunca deixo um analgésico ou um ansiolítico, principalmente nessa faze abstemia.
- Tem alguém ai, com a senha NU -7028 -pergunta a baixinha do guichê 3.
Experimentei chá de papolha e até Santo-daime -esse tive alucinações auditivas.
No primeiro andar -Vim com mais três pacientes no mesmo elevador – todos nós faremos tomografias. Peço um café: - Só depois do procedimento – avisou-me a simpática atendente.
Na tela da tv, falta aparecer João Gomes no arraial da Globo -A cara do cara esta em tudo que é lugar -outdoors, traseiras dos coletivos, propagandas no you tube – sou obrigado a vê-lo, com aquele chapéu de couro e cantarolando “Love you” – é de mais – aproveite macho, tudo é passageiro, só não as frieiras do poeta. Um jovem zangado sai do elevador na cadeira de roda com o pé direito amputado. Uma atendente repõe a garrafa térmica com café, para perturbar lhe pergunto-lhe se posso beber um copo:
- O senhor vai fazer o quê?
- Tomografia com contraste.
- Ainda não.
A lâmpada quadrada acesa sobre a porta da tomografia. O atendente chama o acompanhante e a lâmpada apagada. O rapaz da cadeira volta mais tranquilo e entra no elevador.
E o icônico forro de Luiz Gonzaga “Sonhei que estava em Moscou..” – Um senhorzinho e a acompanhante saem da sala.
- Claudete Pereira da Silva!
Uma morena bem afeiçoada aproxima-se.
- É a senhora? Vamos lá – entram
O programa xarope da septuagenária Maria Braga que ainda insiste em segurar o bastão – Hebe.
Uma bela e seria jovem radiologista de jaleco branco desfila pelos corredores.
Seis copos de aguas de uma vez – assim recomendou-me a jovem enfermeira Dra.Lais de 25 anos, recém casada muito atenciosa, conversamos descontraidamente, aplicou-me um cateter no braço direito. Agora aguarde quando tiver vontade de urinar me chame para-lhe aplicar o contraste, vai doer um pouco e vou para o corredor. A lâmpada da sala de ortopedia apaga.
Minuto depois vem o técnico me chamar e lembro-me do meu filho.
- Seu Raimundo Nonato Rodrigues? Já tomou os seis copos com agua?
- Sim – confirmei
- Já tomou o contraste?
- Não, espero a doutora.
- Não, agora é comigo -aguarde mais uns minutos.
Passados levanto-me e o sigo em fila indiana a até próximo a porta da sala do comando e desaparece.
- Tá esperando o procedimento? -pergunta-me uma baixinha branquinha simpática. Consultando o celular.
Maria Braga e aquela voz sem graça meia rouca. O rapaz me chama e entro na sala. Manda-me trocar de roupa por uma bata e deita-me na maca móvel, aplica o contraste sinto uma leve picada e estico os braço para trás e pronto começa –‘respire fundo e solte”, isso foi quase umas cinco vezes. Deus do céu viva o SUS. Procedimento concluído resultado dia 02.
Apanho ônibus via Rodoviária, desço na Deodoro e passo diante da banca do seu Rui, que estava era a filha – não resisti London me esperava, deixei Getulio com ela e dei um pulo até a caixa do começo da rua do Sol e graças a Deus e a Papai Lula saco o meu recurso e volto ligeiro bala – além de London e Green também sacrificando o meu tanduo@ da próstata para o mês que vem, vou chora de dor.
Na Vila Embratel, os pães e salsichas, mas almoço a galinha retemperada com laranja e início ”O fator Humano”.
O Brasil ganha por enquanto a Escocia – vou ouvindo Chopin e um tambor de Criola no arraial. Paguei meu cumpadre.









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