O mundo do sr Con = 01/07/2026

Data 02/07/2026 21:22:48 | Tópico: Textos

Julho
Quarta-feira, 01
Apartou quatro Dom Brown: “Anjos e demônios”, “Impacto Final”, “Simbolo Perdido” e “Fortaleza Digital” para tentar troca-los.
- Presta atenção na conversa caralho – ralhou severamente Seu Raimundo Zarrolho contando pela enésima vez a mesma historia da época que começou a trabalhar como vigia no mercado da Vila Palmeira, do furto frustrado da sua magrela – “O safado do ladrão não sabia andar e ia trocar por diamba, mas esqueceu de festa da porta e o soldado (companheiro do assado madrigal) a recuperou”. – Presta atenção na conversa, por isso não gosto mais de conversar com vocês – conversa de homem serio.
O poeta desvencilhou-se e bem baixinho manou-lhe tomar no traseiro (ele é surdo) – Desarmaram e levaram o sistema de som do palco do arraial, assim como o gerador estacionário na rua 18 por trás das barracas. A pixixitinha da padaria Renascer colocou quatro pães na sacola – o trato é dois.
Mas a grande fuleragem veio mesmo quando o poeta olhou Sanantanio, o negão das polpas de frutas no canto da Jurema. – Ficou torto, tá virando para o lado, vou levar lá para gente dar umas porradas no eixo – avisou.
Caralho! A manhã tão ensolarada, de repente (como escrevia nosso mestre Dostoievski), escureceu para o poeta e todo seu animo foi por agua abaixo. Na esquina da 21, a morena gostosa suada, vindo da academia na frente do poeta curvou-se para acarinhar o cabeção de seu Buldo – um buldoguer marrento e mau-humorado de Seu Resolve.
Na esquina da rua 22, o carroceiro maneta na calçada do fundo da grande construção inacabada.
- Ei, poeta” – gritou saudando-lhe com sua pata de foca (Hemingway em um de seus personagens rocambolescos que fazia o contrabando entre a Florida e a costa cubana e vice-versa).
Ontem depois do banho ao luar no quintal as escuras e as pilhas afônicas na Voz do Brasil – envergou seu pijama vermelho, deitou-se na rede para iniciar a sua viagem a Klon dike, Alasca com o cão Buck. – Será que London ou Martin Eden o escreveu onde? Na casa da irmã ou no quarto da portuguesa?
“Em dois mil e um/ o caminhou virou/ Mas Skindin não morreu” – uma toada – E ontem Seu Skindin reviveu a sua apoteose vendo o estado lastimoso do seu querido Boi do Miritiua (O boi a qual foi amo na Jordoa era sotaque de orquestra, sai mais barato do que o de matracas e zambumbas – as fantasias são caríssimas – Seu Skindin é um dos heterônimos de seu Jorlene, caboco serio o outro é Seu Jojó, que também gosta de uma patifaria.
- Eram três ônibus com os brincantes e um caminhão com as tranqueiras – as matracas, os pandeirões e os paus para a fogueira. Fui na boleia com Garrincha(atual presidente) e não percebemos que o motorista tinha tomas uns birinaites e quando chegou na Cohab, o homem endoidou e começou a cortar e deu no que deu – quase eu morri, desde dai me afastei da brincadeira.
Seu Valter, o ex-sr. Walter’grats ex-vizinho do sr. Com, dono do bar próximo a rua onde seu Com morava com sua sagrada família – ele, Dona Van e o pixixitinho.
- Olha o peixe seco ai – mostrou o cofo para o poeta – É lá do Cujupe.
Dez horas- confirmou o barbeiro da sua porta, depois que o poeta despediu-se do mestre Paulinho, filho do saudoso seu Joâo Preto, depois de quase duas horas de papos sobre os rumos da politica local e chegaram a conclusão que a mesma é uma ciência inexata. – Poeta voltando ao “Apelo da Selva” de London que suicidou-se rico e famosos aos quarenta anos – enquanto o poeta aos 65 anos ainda sonhando em tornar-se um escritor e aguentar os abusos de Sanatanio e o pesadelo de seu carrinho demoníaco.
Um caboco na garupa de uma moto equilibrando no ombro um cano de 6 metros de comprimentos como se fosse uma lança em punho para enfrentar seus moinhos de ventos.
O casalzinho jovem de papudinhos de mãos dadas que intriga o poeta por desconhecer a historia deles e da mãezinha dele também papudinha.
- E ai, o sr. tá bom? – perguntou um rapaz com uma faca numa mão e na outra um pedaço de abacaxi e por trás dele passando uma camionete chapado deles – O sr. tá só escrevendo ai? – e foi embora sem oferecer uma fatia da cheirosa fruta.
Mãe Gostosa quizilando a ideia do poeta com um serviço fulero, basta Sanatonio.
Um Vila Embratel – Via São Benedito as 10:45 – o poeta pensava no sucesso ou não na negociação da permuta dos livros de Brown por “Lucio Flavio, passageiro da agonia” com o impassível Seu Rui.
Uma ambulância silenciosa e a buzina escandalosa da caçamba cor de vinho. As 11:00 – um Paraiso – Via Bacanga seguido por um 314-Vila Embratel.
O fofoqueiro Pai Bá regurgitando todo seu fel de maledicências sobre seus conhecidos. Sr. Com empinou as orelhas ao ouvir o barulho do carrinho de Sanatonio aproximando-se. Deu-lhe o martelo e o deixou a martelar loucamente o eixo mofetico.
Outro 314 – 11:15
- Mil e cem pelas aulas praticas – falava uma pixixitinha passada no viva voz e o fone nos ouvidos fazendo charme.
O poeta apanhou um genérico de coca no Gordinho e traçou os pães restantes. Um bom arroto.
Um Paraiso-Via Jambeiro.
- Bora, poeta comer arroz com toicinho – gritou Maninho, o serigrafista do meio da rua.
Vila Embratel-Via São Benedito atrasado – 12:00. Dezão saciado do Popular e a entrevista a manhã com assistente social do CRAS.
Tarde – três pombos asseavam-se na agua parada da sarjeta em frente a pensão sob o olhar sedento do gato Tom.
- Tem nada hoje não – respondeu Seu Kanf de sua bicicleta.
- Eh! Poeta fulero! Gritou Taioba da outra calçada vindo do mercado.
- TAIOBA! – respondeu o poeta na parada em frente a Bike-center esperando um Vila Embratel.

- Não troco somente compro dependendo dos livros – enfatizou serio Seu Rui na sua banca-sebo em frente ao Liceu da Deodoro.
- Interessa olha-los? Perguntei cabreiramente.
- Pode – abri a mochila e os tirei em duas vezes. Examinou e folheou um por um e depois os colocou sobre os outros – Bem.. por hoje (Pensei não vai dar em nada) o que posso lhe oferecer a 11 reais.
- Mestre, quero mesmo é troca-los pelo “Lucio Flavio..” pode ser?
Hesitou por uns momentos e apanhou o livro entre os outros. Caramba, ao apanha-lo fui as estrelas e vibrei – porra! E segui em frente todo alegre lendo pela calçada as primeiras paginas.
( José Carlos Lopes – chamou o telão da recepção do centro.
José Carlos é nada menos ou nada mais que o ladrão velho Caj, corrido da vila, natural da Madre Deus, ex-percursionista do boi barrica na excursão pela Europa e Estates)
Na padaria em frente a casa de velórios o preço exorbitante – um copo de café 4 mangos e um pãozinho de queijo 1,50. Segurou a fome e veio anestesiar com o respeitado copo de café com leite por um real numa banca em frente ao PAM-DIAMANTE. E estou aqui na espera da vez, ainda três para falar com o Dr. J.
- Boa tarde! – despede-se malandramente o velho Caj – a recepcionista injuriada com ele, pensando até enquadrá-lo por desacatado.
14:30 – marcava o relógio, o poeta desceu para uma urinada no banheiro feminino. Voltou a recepção decido a pedir um encaminhamento para o Defensoria Publica, pois tinha certeza que seu segundo pedido estava indeferido e assim o fez – O dr não hesitou em da-lo.
Na parada do Parque Bom Menino o encontro com o poeta Janaike que leio e gostou do Saint Peter Day – mas fez um ressalva sobre o final depois da lourona brancona na porta do motel
= Porra, poeta ali tu perdeu voltando a Vila Embratel – o clima era a Madre Deus.
Esse poeta. E no começo da noite o poeta retornou ao seu ninho mais confiante, agora vai.






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