
AMOR
Data 03/07/2026 16:36:43 | Tópico: Poemas
| Poderei amar-te num tempo não propício, Poderei amar-te em recolhimento, em silêncio, oferecendo O meu corpo como holocausto.
Poderei amar-te de noite, com a candeia acesa, Com uma vela branca ao pé da janela e com Um lenço pousado nos joelhos.
Poderei amar-te todas as meias-noites, dia após dia, Ano após ano, silenciando-me e silenciando-te a ti Como uma treva.
Poderei amar-te como uma chama ardente, jamais perecível, Levantada pelos ventos e iluminada de soslaio pelo Sol.
Poderei amar-te e gritar incessantemente por mais amor, Oferecer-te uma rosa ao pequeno-almoço E juntar todas as pétalas caídas no chão E daí preparar uma refeição magnífica.
Poderá o meu amor ser avesso a prodígios, a milagres. Cessam-me todas as palavras quando o dia se transforma em Noite, O prazer em vida, o sexo em algo mais transcendente. Não sei do sol fazer chuva, da aurora tempestade, Do ferro seco e duro Ouro, Da morte vida nem de Deus o Diabo.
Poderei amar-te como o sol ama a lua, como a aurora ama a Manhã, como o Céu ama a sua pomba.
Mas, prefiro amar-te apenas pelo teu sorriso sempre Que os nossos olhos se juntam, cada dia pela manhã.
Jorge Vicente 2001
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