
O mundo do sr. Con - domingo
Data 06/07/2026 16:14:45 | Tópico: Textos
| Dimanche, 05 de julho de 2026 Quase meio-dia. A netinha Leleli raspa o pepino sentada na mesa, mas não deixa o celular, a pequenina na sala assistindo a Formula UM enquanto a mãe na azafama de preparar o rango dominical. O poeta comprou um fardo de Glacial no Seu Raimundo da rua 14, as laranjas, o careta na Val para a Sara. Vince e de seu bolso uma cartela de Dipirona e tomou logo duas para ficar chapado junto com o alprozelam. O clima tenso do pre-jogo da seleção contra a Noruega e um gigante de mais de dois metros – o terror das zagas e principalmente na cobrança dos escanteios, nem pula para cabecear. Mas o poeta não está nem ai – o importante e a dinâmica do mercado, todos apressados, guardando suas mercadorias ou tomando os seus chope, meu cumpadre é um deles com sua curriola – pegando as cervas no barraca da esposa de seu Soraia em frente. O cumpadre atende uma simpática morena que quer uma camisa da seleção. A morenona parceira de Noca da rua 17 ( a rua dos cabarés, conforme a sra. Vince), que o poeta sonha em intermediar a ida dela para o famoso bairro da lâmpada vermelha em Amsterdam. Expô-la naquelas vitrines, deixariam os europeus loucos, acompanha um pixixitinho todo empolgado. - Ei, Cabeludo? – grita Nonatinho, o pedreiro arriando o balde com as ferramentas na calçada. - Aguarda ai – tamos na luta -responde o compadre agoniado com duas clientes. - Tu bem, não tenho pressa – diz sentando-se. Seu Manoel do lado puxa conversa. - A Mota Machado paga certo – disse Nonatinho, o pedreiro vai fazer uns reparos na calçada em frente a lojinha e encara pesadamente com o olhar duro a passagem da apetitosa empresária, igual Dona Van não arreganha dente facilmente, todo tempo de cara fechada. O velho Zeca, filho de Seu Bacabal e ex-aluno do Sr. Vince com suas pernas cambaias, igual a de Garrincha, o nosso grande ídolo do futebol do passado, campeão da Copa em 1958 na Suecia. - Poeta ´so concentrado e anotando -ironizou o pedreiro. O som brega e marcante do bar de Soraia. K.B.Ludo encaminha o pedreiro para uma missão, ir na casa de Mama Grande na rua 23, apanhar uma extensão e um saco de areia. O barbeiro Biraci e sua sacola de ração aboleta-sena cadeira desocupada e o poeta conta-lhe a respeito dos seus encontros: primeiro com o mestre Jose Louzeiro na Feira do Livro, o fulero e mercantilista Gullar no Teatro Artur Azevedo em 1982 e por ultimo com o poetae compositor João Ribeiro (Joãozinho) na época secretario de cultura do prefeito Jackson Lago, deu-lhe um chá de cadeiras das duas da tarde as sete da noite e o atendeu cheio de empáfia – nem parecia o mestre que lhe incutiu Hemingway e Dostoievski e lhe mostrou a nata do MPB. Mas tudo bem – dez anos depois encontro casual na igreja da Sé, agora secretario de cultura do estado do governador Jackson, ao ver o poeta bem acompanhado com a morena Madame Madame Rameaux, veio com um convite fulero – Vai lá poeta, lá no meu gabinete para conversamos -Deu vontade do poeta mandar-lhe se fuder e nunca mais o procurou, nem ele e nem outro fulero. Mesmo na sua pobreza, o poeta é mais ele em todo sentido. 16:30 – Sr. Com desperta como tivesse mil silvos de panelas de pressão nos tímpanos. Bodou pesadamente depois do almoço deixando o radinho ligado. Não é a primeira vez que vive uma situação dessa. Uma boa ‘barrigada’ e um bom banho no quintal. Os foquetes anunciam o mata-mata daqui a pouco. Aos poucos os silvos diminuem. Os irmãozinhos chegando a reunião no salão. O radio da sra. Vince a todovapor. Ontem a tarde, o poeta voltou a reler “Recordações da Casa dos Mortos” do mestre russo. - Meu Deus que rato enorme! – gritou espantada a sra. Vince da porta da cozinha – Só quero que não entre aqui!. Os times em campo. O urro da galera no estadio. Começa o jogo rm New Jersey,NY – o poeta descobre outra serie britânica humorística “The Upper Crust. - Já era Brasil – desabafa a sra. Vince um pouco acima do chão – 2x0 para os nórdicos, o grandão marcou dois. – mesmo assim os foguetes explodem ironicamente. 19:00 – Um vendedor de coloridos algodões doces desce na entrada da vila Embratel. No Bacanga, um pixixitinho maduro pula a borboleta. As ruas do centro iluminadas pelas lâmpadas de led. Terminal da Praia Grande – 19:26 Os plantonistas nas portas dos hospitais, casais de namorados, uma triste onda amarela silenciosa. Um grupo de capoeira – lembrou do finado Negão ou Black. Sento-me para esperar um Paraiso. Ingeri três dipironas e um alprozelam. – os silvos silenciaram. Em “Upper Crusts” um casal de aristocratas falidos, perdem a propriedade e vão morar numa casa popular. Os burburinhos dos embarques e desembarques a cada ônibus, passageiros correm para não perderem seus ônibus – A imagem, o requinte do luxo da estação central de Nova York, perdendo apenas para as de metrôs de Moscou e São Petersburgo. As plataformas locais deveriam ter relógios como nas estações de trens da Suíça.. Um Piancó-Via Jambeiro entra na plataforma A – um pai e duas filhotas. O casal com as camisas iguais discute pacificamente. A mãezinha e a pixixitinha sentadas num banco na PB. Enfim o ônibus. Sweet Caroline em reggae na Areinha – A Camboa, o mangue debaixo da ponte Tribuzzi. O shopping vazio e quase sem carro no estacionamento. Passo em frente a rua dos Anapurus no Renascença , onde fica a sede da DPU e a audiência para 17 de agosto. Quinta tem a busca do exame na APAE. Na pensão, depois do lauto jantar, o mesmo do almoço – A sra. Vince chopeando com os pariceiros na cozinha e as mesmas conversas de sempre. A pequena Lelléli brincando no celular, pensativa e apaixonada, um encontro frustrado com a mãozinha no queixo aos 16 anos – seu primeiro amor
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