Do mal, o menos

Data 10/07/2026 08:03:32 | Tópico: Poemas



Do mal o menos
repetia
baixinho
o homem que alimentava pombos
com migalhas de pão seco.


As aves vinham
confiantes
como se cada migalha fosse a promessa
de que o mundo
ainda podia ser simples.


O homem observava o voo breve
as asas
a riscarem o ar
a escreverem
sem tinta
uma esperança discreta.



E
enquanto o pão se desfazia
entre os dedos gastos
o homem pensava que talvez a vida
fosse isso mesmo.

Um gesto pequeno
um cuidado anónimo
um instante de paz
no meio do ruído.


Do mal o menos
repetia.


E
naquele murmúrio
cabia tudo o que ainda o mantinha de pé.





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