
O mundo do sr Con - Friday, 10/07/26
Data 10/07/2026 20:59:33 | Tópico: Textos
| Friday, 10 de julho de 2026 Dezão agoniado vindo do café no Popular com a camisa amarela da seleção, jogou-se na cadeira – Tá pensando que o cara é otario? Eu tô correndo atrás – dois meses que não recebe o aluguel social – Com meu direito eu vou até no inferno da pedra – O homem destilava sua zanga porejando na testa – O cara vai comer ai (fez o bico em direção a residência dos pais na esquina) é a maior frescura, tudo escondidinho – passou a mão no rosto suado – Bonjour, qualquer coisa eu vou na casa dos cachorros ( a defensoria pública do estado ao lado da Clinica Veterinária do município ) E o cara vem dizer na minha cara que recebi os seis meses, peguei somente três. Seu Jojó prestou serviço na engarrafadora da Cola Jesus no Filipinho – conheceu Seu Jesus, o criador desse maravilhoso refrigerante, trabalhou para o filho e namorou uma barata (domesticas que moravam na casa dos patrões) dele – residiam na Praça Deodoro. Presenciou o incêndio histórico do navio tanque Maria Celeste no cais da Praia Grande, na época era moleque de uma oficina-garagem na descida da rua do Egito. - E ai,vocês tão procurando casa para alugar? – perguntou Clay para as duas jovens que transitavam do outro lado. - Sim, estamos – responde uma delas simpaticamente com um sorriso. O galante Clay levantou-se todo solicito e as acompanhou. De manhã cedo no posto de saúde da Vila Embratel, a impassível atendente por trás do aguario o redirecionou para o dia 15 – quando começarão a marcar as consultas, nada adiantou o poeta dizer que era retorno para mostrar os exames – Só a partir do dia 15 – enfatizou sem olha-lo. Passou pela Praça do Bacurizeiro e se solidarizou com os meninos do álcool. Na rua 16 na lateral do mercado, perturbou seu Raimundo Zarrolho, travando a bicicleta e cumprimentou as meninas na porta da lojinha de Dona Lea. Seu Robson ou o velho Quirró com sua banquinha improvisada dentro do mercado na esquina da entrada do Val’s, arrumava poeticamente suas mercadorias - maxixe, quiabos, maços de cebolinha. - Boas vendas o desejou o poeta feliz com aquela cena. Sr. Max, o barbeiro estacionou em frente a garagem de Pai Cardin, abriu a porta traseira. Abriram uma banda do portão e suspenderam o pano e ficaram assim por uns instantes até o mestre Max zarpar sozinho. A pressão do velho Cardoso baixou e pensaram em leva-lo para o hospital. Mas baixou e cancelaram. Clay todo convencido trouxe as meninas – uma delas a gestante sentou-se, enquanto ele anotava o numero do celular do marrento. Dezão de volta, de camisa trocada e mais calmo. – Quero que chova, depois que eu comer. Mas tarde tem um jogão. Olhou para o relojão de pulso – Ainda tá cedo, lá sobre abre as onze e hoje é o que gosto uma tal de dobradinha que parece com mocotó. - “Atenção está passando na sua rua o carro do gás – estamos trabalhando com o gás do povo.” Tempo tá fechando é chuva mais tarde – filosofou Dezão olhando o celular – Vou bora – levantou-se de supetão, pegou um litrinho de refri e desculpou-se – é por que só sei comer bebendo agua. - Homem é homem e não tem falsidade! Enunciou um pixixtinho de olhos vítreos e muito acima do chão, zangado, rangendo os dentes e os punhos fechados. Ainda bem que não olhou o poeta, passou batido. - Ei seu Constantino, o senhor tem tido noticia de Duduca ( o filhote)? – perguntou sua antiga vizinha da rua do CB-450. - Falei com ele semana passada – mentiu o poeta. O encontro do grafiteiro Twist com o velho colecionador romeno Cornelius Fagin. O Desterro também tinha o seu Fagin, na figura do velho Seu Filipan, dono da Vacaria na travessa Feliz -um antro pesado – moravam algumas pessoas direitas, mas a maioria eram ladrões, batedores de carteira traficantes, putas, jogadores de baralhos, viciados – todos acoitados pela benevolência do Pai Filipan – que receptava os melhores roubos. Uma boca de fumo, o poeta a frequentou muito, nesse tempo jovem morava na outra rua, a Afonso Pena. Nos anos 70, houve um homicídio que chocou a sociedade, o assassinato do jovem advogado Dr. Robets, usuário de droga e de família influente. Morreu por causa da puta jovem Rose que era de um amasia de um ladrão – depois conto essa com detalhe. - Hoje eu bati três pratos – vangloriava-se Sirioba passando a mão na barriga encostado na porta – Eu não gosto quando é carne moída ou o tal de estrogonofe comida de gato. Mas dobradinha, mocotó e feijoada eu bato é certo.
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