O mundo do sr. Con = Sabado, 11

Data 11/07/2026 21:18:18 | Tópico: Textos

Friday night
Deletou o google chrome involuntariamente e entrou em pânico.
Antes da meia-noite – aliviou-se. O sr Castro, o factótum viu e reconectou, antes mesmo que o poeta lhe comunicasse o ocorrido. Aleluia. Cedo, colocou os seus andrajos de molho com sabão liquido da sra. Vince e deixou o balde dentro da casinha.
Samedi, 11 de julho de 2026
Um Paraiso vindo do centro parou bem no meio da ladeira da Avenida Sarney Filho, Vila Embratel na grande construção inacabada entre as ruas 21 e 22. Seu Jojó com muito cuidado desceu e firmou-se calçada. Do outro lado, o aposentado Apolos o observava curiosamente. Mas abaixo o poeta suspendia a porta de rolo de seu atelier. O radinho com as pilhas nas ultimas e afônico – e não era nem sete horas da manhã. As seis, depois de abrir e fechar a porta para o sr. Vince sair, o Sr. Con tirou os seus andrajos do molho – as escovou, as enxaguou e as pendurou no varal do quintal da pensão para corar.
Dezão e os pixixitinhos descendo para o café no Popular. A vovozona e a netinha. O poeta trocou as pilhas para ouvir “Hora de Ouro” no Senado FM.
- Proximo bloco tem mais “Hora de Ouro”, não saia dai.
Juvan Jr. de óculos escuros e as machadinhas ainda não foram enterradas.
- Vi ele ontem a noite (Juvan Sr), com aquela conversinha mole. Fulero, pisou na bola – e seguiu.
Carmem Miranda e Dorival Caymmi em “Roda pião” de 1939 – antes de viajar para o estrelato nos States.
- Eu procuro um livro – disse um grandão esquisito com a voz cavernosa na beira da porta comum cabo de vassoura prateado, tirando o poeta de sua concentração musical e literária – devorava “Twist” – o livro de São Cipriano. É verdade que ele ensina tudo que não presta?
E dai o nó górdio foi desenrolando em volta desse personagem que todos os dias passava em frente ao atelier. Era Seu Jorge, misto de pedreiro e vendedor de pipocas, mas roubaram o carro dele. Teve cinco companheiras, mas essa última, uma lourona brancona bonitona e gaúcha – muito problemática, a resgatou dos bares do Anel Viário, tava perdida – toma remédio controlado e desconfia que ela tem o livro de São Cipriano e colocou ao lado da Bíblia onde acende uma vela e o expulsou do casarão onde moravam no Piancó – estão juntos há seis meses e ele morando fefavor numa quitinete onde o home da dona não vai com cara dele: - “É o grode!” – “E o sr gosta de uma pinga? “– perguntou o bardo – “Não, só de cerveja”.
“Anjos do Inferno” e Araci de Almeida interpretando um samba do poeta da Vila, o imortal Noel Rosa – Com a chegada de Dezão e seu Rob, o seu Jorge capou o gato. Como sempre Dezão agoniado com o celular e um bonequinho que desapareceu. Seu Rob desistiu. A loura circunspecta de todas as manhãs e o poeta Zeno impassível sentado no varal da carroça cheia de caibos do arraial.
O8 e uns pedaços – O poeta retorna do café na pensão, levou e deixou por lá o radinho.
“Seu Jojó vinha lá do Desterro, foi comprar um peixinho por lá” – comentou Seu Apolos ainda no mesmo lugar.
Gordilho chega vindo do centro, fora buscar os remédios e as fraldas do pai na PagueMenos da rua grande/passeio.
- Sabia que fiz café duas vezes por causa de ti – disse Gordilho enchendo a caneca do poeta na porta entreaberta com a garrafa térmica na mão: - Fiz um pouquinho e me lembrei de ti e fiz mais um pouco.
Para sopitar o stress dessa manhã simbiótica, tomo um genérico de Dorflex com o café. O homem do ômega 3 -sardinha volta em silencio empurrando seu carro de mão.
- Eu tô querendo matar um caboco ali – disse um doidinho que se auto-intitula matador – é natural de São João Batista, terra de brabos. Dezão descarrega um sanitário usado com a caixa de descarga da carroça de Marujo, o carroceiro manete e guarda dentro da oficina: “Deixa ai, vamos fazer negocio e tu, Bonjour ganha o teu”.
Seu Jojó desconhecia o assassinato do advogado jovem Dr. Robert Bello na vacaria, Desterro nos anos70.
- Pera ai, eu não tava aqui – desculpou-se -lembro do crime do Arteiro, parente do pessoal da Casa Ancora na Praia Grande, que matou o socio Zé Mello a martelada na rua do sol.
O poeta também lembrava-se, era uma criança, mais ficou impressionado – nessa epoca São Luis não tinha nem cem mil habitantes e ainda circulavam os bondes elétricos pelo centro.
O Paraiso-Via Bacanga descia rumo ao centro e seu Jojó correu para apanha-lo e o poeta para o final de “TWIST” de Crass – e como nos romances do mestre Dickens, acabou tudo bem – Oliver e Red foram morar num bairro boêmio a leste de Berlim – os outros entre eles Fangin se saíram numa boa. Só o malévolo e ambicioso Sikes teve o que merecia.
O matador voltou e revoltado: - Se vacilar eu mato as duas, minha mulher e a minha cunhada. Mulher de malandro não pode esconder o celular do marido – se houver traição, mato. – saiu chispado para comprar uma faca de cabo branco para um caboco que estar azucrinando sua ideia.
Sr. Com aconselhou seu Jorge a esperar a lua cheia, quando todos loucos entram em surto, ai ele chama o bombeiro, interna a branca e recupera a casa (se for verdade?).
Pegou no Gordilho a sua ração de Vicodin genérico e ferrou cinco reais. Procrastinou “Problemas na Corte” em detrimento de “Homem Fatal” de uma escritora francesa Irene Frain. A galera voltando com Popular cada um com suas sacolas e os bandecos dentro – feijoada. No Lasierra as pilhas e a dose do puro mel puro.





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