O mundo do sr. Con - tarde sexta e Samedi matin, terça-feira, 21/07/2026

Data 21/07/2026 19:45:59 | Tópico: Textos

Tarde de sexta-feira
Aleluia!Aleluia! Finalmente dei os meus parabéns para o meu amado filhote distante nos cafundós do Pará – Sai do frigorifico, estar na Fazenda Rio Vermelho “Rei do Gado” como técnico de enfermagem. Emocionei-me.
- Poxa, pai, eu sinto muito a sua falta – disse
Eu quase lacrimejava, mas o encorajei a continuar a sua jornada.
Samedi matin, 18 de julliet de 2026
Não aguentei a emoção de falar com o meu amado pequerrucho distante, entrei em catarse e não segurei e acabei quebrando o meu jejum etílico. Desde outubro que não nos falávamos. Bacana.
Então banhei-me e rumei para o mercado. No estação Lasierra não tinha vodka e então entornei a primeira dose no finado Bispo e ofereci a ele, aonde estivesse! Dei um pulo no meu cumpadre na lateral do mercado na 16, fechado – rumei para o Ed Paul na avenida Sarney Filho e encontrei casualmente Seu Benedito, filho do capitão Patacho que espontaneamente pagou-me duas doses e retornei para a pensão entrando em amnesia.
O casal de carroceiro na labuta.
- Agora é no braço – disse o motoqueiro apeando da moto, desceu na banguela e agora vai empurra-la para subir a ladeira. – Vou encarar no muque.
Um conterrâneo de Arari, Nova York na radio Senado FM – o mestre Zeca Baleiro . Uma dorzinha chata no baixo ventre. Gordilho aconselhou-me a largar essa coisa de escrever, que isso não tem futuro aqui na terrinha. Pauvre Gordilho – ele pensa que escrevo por necessidade, escrevo por que faz parte de mim – com futuro ou sem futuro continuarei o meu sacerdócio
“Os tecelões tecem o tempo
A vida passa
Sem bater o ponto final” –
Ninguém escolhe ser poeta e a poesia que escolhe você.
Mãe Telma doidona que a mão esquerda. Ela e o filhote vão para o hospital do Bacanga. Seu Rorré radiografou o saco de lixo na calçada do vizinho em frente – encostou a magrela na parede da oficina, atravessou – desatou o nó e catou as latinhas secas de Heineken – as amassou e jogou dentro de uma sacola. Reciclador não perde nada. Uma branca da igreja se embandeirou por ele, mas ele a descartou.
- quero uma mulher que me ajude – disse amarando a sacola no guidão da magrela. Deu-me dois reais.
A mulher do verdureiro deu-lhe um saco de tanja, guardou junto com os cadeados para não esquece-las. O casal de carroceiros retornando com uma caixa da agua de fibra de vidro. Inesperadamente o poeta vendeu a antena de Seu Jojó para o filho da vizinha ao lado – Vinte mil-reis.
A ‘vicodin” faz o efeito anestesiando-me por completo – lembrou do loucão do Burroughs, amigo de Kerouac que comprava elixir paregórico para extrair a tintura de opio. Mudaram a formula.
A galera voltando do Papular com seus bandecos nas sacolas.
- Já encerrou – disse irritado Mutante que chegou atrasado.
Maninho também pegou o dele.
Dona Telma e o filhote voltando do hospital, queriam transferi-los para o Socorrão da Cidade Operaria – mas não tinha ambulância. Então tome álcool.
- Nois somos é bebedor de cachaça! – desabafou o pixixitinho.
Depois do meio-dia – o poeta caiu na bagaceira geral – bebendo no finado Bispo.
Terça-feira, 21 de julho de 2026
De volta a labuta no atelier – depois de dois dias de zoeira, enchendo ou melhor cheirando o copo – Ele sabe que é fraco, mas insiste em ser uma coisa sem futuro. Ontem nem saiu da pensão, pelas tabelas fraco e vomitando.
Esse poeta é um tremendo mané.



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