O mundo do sr. Con - Quarta-feira, 22/07/2026

Data 22/07/2026 19:50:38 | Tópico: Textos

Quarta-feira, 22 de julho de 2026
Dona Neide com a rotula do joelho esquerdo inchado em pé na parada, esperando um ônibus na parada mais embaixo, em frente a quitanda de Gordilho na Avenida Sarney Filho, Vila Embratel. Sanatonio dando marretada no eixo traseiro do seu carrinho para desempena-lo. Na pensão, ontem a tarde esqueceram de fechar a pia da torneira e a noite a caixa secou.
- Vou tomar uma Diazepan – desabafou Dezão levantando-se – Eu tô muito agoniado
A irmãzona da Universal cumpriu e trouxe um exemplar da “Folha Universal” – o odor da tinta impressa anestesiava os sentimentos do poeta que deixou “A Ilustre Casa dos Ramires” do mestre português Eça de Queiroz para degusta-lo -apesar de não ser da turma do Bispo Macedo, mas o admirava, apesar dos apesares – o cara é bom.
- Chegou a cadeira pra cá? – inquiriu aleatoriamente o desconfiado Frank Puro aparecendo de supetão e sentando-se nela – Os caras tão acabado.
Ploc – um pingo da goteira no balde meada da chuva de ontem. Sr. Com desconfiava que Frank Puro entraria ou já estaria na sua fase lunar cheia – conversas desconexas e sem sentidos, risadas sutis e um levanta e senta constante como um urso enjaulado. O galo de Dona Neide cucuritou no fundo do quintal e do outro lado as borboletinhas amarelas polinizam poeticamente as vistosas flores da aboboreira esparramadas do outro lado rente ao rego e muro da madeireira Bastos.
Nesses dois dias, três filmes com Michel Caine “Pulp”, “O americano tranquilo” e “Shock to the sistems”.
Dona Neide desce do ônibus com dificuldade na calçada em frente ao Gordilho e atravessa caxigando a estreita avenida de mão dupla e sem canteiro central em companhia de Dezão, que quitou-se com Gordilho. Seu Juan de La Croce presta serviço de encanador para Mãe Gostosa.
Seu Rozinaldo finalmente tirou suas duvidas quanto a idoneidade literária do poeta.
- Mas o senhor tem livro publicado?
- Tenho. Tá na internet.
E para encimentar o assunto pendente mostrou-lhe os exemplares do “Extra” de 2015 a 2016 – com sua coluna “Em busca do tempo escrito” onde publicava semanalmente aos domingos os capítulos de seus livros “Tuberculose” e “O Grande Caderno Azul”.
O sr. Com dormira bem, como diria o velho Bamba “Só numa lapada” – depois da Voz do Brasil, despertando as 4:30 e as 5:00 sintonizando no Marcial Lima na Mirante News e uma hora depois no Jornal da Jovem Pan.
As 6:30 o banho de sol na Praça das Sete Palmeiras, Vila Embratel em companhia do mestre de Oak Parks, Ilinois Hemingway em “Ilhas das Correntes”.
- Vou esperar o cara na volta do zorro – sentenciou o agoniado Dezão mesmo com umas diazepans no chifre continuava agoniado, subia e descia – Tenho que resolver isso hoje.
O carroceiro maneta Marian ou Marujo e a sacola de milho para sua égua. O comichão das frieiras ardia entre os dedos dos pés. Desistira de passar as pomadas – o segredo era enxuga-las até sangrarem.
- Vi só um litro. Mas ele não ta ai, tá pro hospital – resmungou Dezão com seu corpozão coberto com uma surrada camisa GGG do Flamengo, sua paixão – rumava a esmo, seguiu para o Gordilho.
Sr. Com aspirou profundamente o cheiro de peixe frito que vinha da cozinha da viúva ao lado. Oh! Delicia!- suspirou.
Meio-dia e uns quebrados.
Soldou o carro de Sanatonio e em companhia de Nilson seguiram para o Popular – Hoje é feijoada!





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