
O mundo do sr. Con - quinta-feira, 23/07/2026
Data 23/07/2026 19:21:01 | Tópico: Textos
| Quinta-feira, 23 de julho de 2026 Um senhor de cabelos brancos, dormia pesadamente no meio da passagem entre os canteiros da Praça das Sete Palmeiras, Vila Embratel, quebrando a poética do sr. Com que cantarolava mentalmente a bela canção do mestre Agenor, o Cartola “Alvorada lá no morro que beleza” – Santos Deus podia ser eu nos meus vacilos etílicos – pensou. Seu Riba Fodinha, outra da confraria de São Martinho, sóbrio como um monge circunavegou curiosamente o irmão de infortunio deitado. Uma simpática jovem morena a caminho da padaria, parou, observou-o bem e foi embora com cenho carregado. Um espelho para o poeta nesses grodes doidos – ano passado deu umas vaciladas brutais, ainda bem que eram tarde de domingo. Olá poeta presta atenção, olha o exemplo ai – asseverou-se. O carro de mão do verdureiro, pesado e atapetado de verduras e legumes empurrava-o com cuidado e muita força sobre a calçada. Antes das seis da manhã, o poeta tirava seus andrajos de molho deste ontem a noite, depois do banho no quintal e constatar a lua em quarto crescente, lembrou de Frank Puro – “A lua tá chegando” Uma visita do mestre serralheiro Bardaux. Uma jovem mãezona levando o pequerrucho pela mão esquerda e na direita a sacola com uns bandecos, vinham do mercado. - Bora! – disse para o pequenino. Dona Neide andando quase normal. O barulho seco de alguém capinando. Uma branca simpática num modelito vermelho deixando as costas nuas – E que costa! A zoada do motor da Toyota Bandeirante dos Bastos saindo da garagem e subindo a ladeira. De volta a Oliveira e a casa dos Ramires – uma sacola voando ao vento pousando na calçada em frente ao atelier. Do outro lado o carteiro grandão apressado e suado debaixo do sol das dez horas, aumentando as esperanças do poeta em relação as três cartas que enviou para as editoras e não foram devolvidas. - Vamos lá no Popular! Convidou o carroceiro maneta Mariano e Cabeleira. Quatro agentes de saúde, três fêmeas e um macho confabulavam no meio da calçada e uma delas -a grandona entrou no atelier. - Sua consulta é dia 29, no Posto, asa sete com a dra. Ana Beatrice. - Ok. Vou e levarei os meus exames – assentiu o poeta pousando “A ilustre Casa de Ramires” no colo. Do outro lado o negão das polpas passava batido e apressado empurrando seu carro abusado, mas olhava para a oficina. - Me arranja dois reais! -gritou o poeta. - Amanhã – respondeu sem parar – Tõ muito apressado – desculpou-se. Ok! O encontro de Gonçalo Ramires e André Cavaleiro em Corinde, a luxuosa quinta deste ultimo. Seu Rozi voltando do Popular anuncia o prato do dia: “Frango assado e fígado.” O pixixitinho Seu Buldo e seus quatro bandecos. Tio Chagas foi no frango. O pedreiro paraense Milson caxibado de cachaça deu um tempo na cadeira e até cochilou um pouco e espantou-se: - Agora vou lá – quando o poeta le disse o menu, deu um pulo – Eu não como frango! O poeta com uma fomizinha enjoada “ainda é cedo” – lembrou de Cartola e sua bela canção que Cazuza gostava de cantar para Neil Matogrosso – “O mundo é um moinho” – Mariano e Cabeleira de volta e mestre Mutante mais atrás alertou-o: - Hoje não tem quase ninguém. A boca do poeta umedeceu de desejos. O barbeirinho veio apanhar o carro de mão no Dezão e não o encontrou. Marcou para amanhã. Volney descia garbosamente a ladeira com uma camisa do Corinthians e uma vistosa garrafa de Pitu e os passos trôpegos de ébrio. Meio-dia – o poeta subiu para o Popular. Realmente não tinha muita gente, mas tinha bastante gente na pequena fila – comprou a senha, minutos depois rolou a borboleta e aos poucos foi aproximando-se. Apanhou a bandeja e o prato, a colher – a senhora serviu-lhe uma porção de arroz, um pouco de feijão, arroz e o fígado – a cuba da galinha vazia – a salada e uma banana e foi senta-se na primeira mesa. O enjoado do Pai Bá aproximou-se: - Poeta por aqui! – Dona Rose Ecler na fila pela segunda vez e assim o rango rolou na paz.
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