
Friday,24/07/2026
Data 24/07/2026 20:34:22 | Tópico: Textos
| Friday, 24/07/2026 A cadelinha caolha Felpuda resolveu acompanhar o poeta desde a rua 16 até a Praça das Sete palmeiras, Vila Embratel. Sentou-se sobre o traseiro diante dele e começou a coçar-se com a pata dianteira. Numa das palmeiras das quatro restantes começou a charalação dos periquitos irrequietos. - Vai trabalhar, barbudo – brincou seu Raimundo zarolho pedalando empertigadamente a sua Monach dando voltas em círculos. A gordinha da padaria Renascer ao vê-lo chegar, prepara logo a sua sacola com os dois pães e o entrega imediatamente para a surpresa dos outros clientes que esperam a sua vez na fila. E Felpudinha ao lado dele mordia-se. - Obrigado e um bom dia! Agradecia gentilmente. Engraçado, Felpudinha o acompanhava até o canto dos paraibanos “Reis do salgados” a antiga casa dos Estranhos na 18 com a avenida Sarney Filho e voltava atravessando a faixa de pedestre para a praça. Ruberto, marido da mãe da loura empurrava o carro do Negão das polpas em frente a casa de Collorzinho. - É esse ai que é o monsieur – disse apontando-o e o poeta fez o sinal com a mão – Sim, os cinco reais na volta. No canto da Farmacia do PM Beto que nunca mais abriu na 21, Esquel conversava com o mestre pedreiro. - Bom dia, meninos – os cumprimentou o poeta e na cabeça a canção do mestre Cartola “Corra e olhe para ceu”. No meio da ladeira, Dezão encouraçado na farda, sentado numa velha cadeira executiva giratória e sua proeminente pança de todos nós. Os carros de mão em pé encostados no portão ao lado. Aguardava o barbeirinho. - É vinte reais! Vinte bandecos. O poeta embasbacou diante da cena desenrolada em frente a Santa Irenéia -a morte do filho pelo próprio pai e a busca da vingança dos Ramires contra o bastardo Lopo de Baião – lembrou-lhe Walter Scot em “Ivanhoé”. Gonçalo descobre que a sua bela irmã corneia o Barrolo “Bacoco” com seu melhor ‘amigo’ – que maroteira dos diabos tipicamente queirosiana. Quase nove horas e o Barbeirinho ainda não apareceu. De manhã cedo Frank Puro todo apurado de camisa cor de vinho nova e bermuda – falando baixo. - Agora vou limpara a casa – desabafou Dona Neide, o joelho desinflamando e doendo pouco com uma vassoura na mão – Muito tempo sem limpar, tá me dando uma agonia. Nove e meia, o barbeirinho veio e levou o carro de mão. - Ele ficou foi brabo. Disse que não gosta de ser cobrado. Então me paga. Me deu a metade – Dezão espumando levemente pelos cantos da boca e um saco de carvão – Disse que vai dar o resto ou sábado ou domingo, mas para mim não cobrar ele. Tá bom. Bonjour assim vou tomar minha roupinol. O motoqueiro-carteiro da SEDEX parou pela segunda vez em frente a casa de Dona Edna. Apeou e com um envelope na mão, bateu, bateu na porta – desistiu e foi embora. Blindowski careta uma semana sóbrio em casa longe das maledicências de seus pares. Uma senhora morena, de cabelos compridos como as indias, óculos escuros e uma saia abaixo do joelho sorriu sutilmente para o poeta. Dona Rachel, a grandona agente de saúde explicando-lhe sobre um pseudo surto de esporotricose – transmitido do animal para o ser humano. Segundo seu Rosi – menu de hoje – Bisteca e carne moída e muita gente, principalmente crianças. O Negão das Polpas a muito custo sacou um cédula de cinco da bolaça de notas que puxou do bolso da bermuda. A galera voltando do Popular, o poeta não iria, só se fosee uma dobradinha ou mocotó. Ao meio-dia, fechou o atelier nas ultimas paginas do maravilhoso livro de Eça de Queiróz. Na casa de Bi no canto da rua 20 – Esquel batia uma massa. No Lasierra, duas pilhas e o alô ao jovem magarefe. No irmão as laranjas. Almoçou um bom frango cozido com o caldo grosso com feijão e arroz. Terminou Eça e começou a reler “A Estepe” um conto clássico do russo Tchecov.
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