
O mundo do sr. Con - friday, 31/07/2026
Data 31/07/2026 20:06:01 | Tópico: Textos
| A Maersk tem 600 navios mercantes - a maior companhia de transporte marítimo.
Friday, 31 de julho de 2026 - Te deita ai, nojenta! - ordenou rispidamente a sra. Vince de seus aposentos para a idiota da cadela Little Black que latia atoa e ferozmente - e ainda não eram nem cinco horas da manhã. Sr. Con embalava-se silenciosamente na rede ouvindo o radinho colado no ouvido. A sra. Vince levantou-se e foi ao banheiro, saindo de lá fez a sua ronda pela exígua sala, vistoriando os gatos que dormiam enrodilhados sobre o sofá, cadeiras e armário. Voltou a deitar-se, antes tossiu e escarrou. As seis e quarenta e cinco cruzou com um Vila Embratel/São Benedito subindo a avenida Sarney Filho, ele vinha da padaria, bem em frente ao antigo Isidorinho, um senhorzinho com uma quitanda a moda antiga. As prateleiras lustradas de garrafas de pinga, vinho e conhaque, pacotes de café, açúcar, leite, margarina, bolachas. O balcão azulejado com uma balança de dois pratos e os pesos e as cartelas de ovos. Duas portas, uma para avenida Sarney Filho e a outra para a rua 19 e um banco de madeira em diagonal entre elas, era ali que empoleiravam-se os habitués etílicos da velha guarda nos finais de semana. A presença deles irradiava a felicidade nos olhos mortos dele – baixinho, fala mansa, caboco dos campos de Bequimão casado com Dona Maria – um casal perfeito e uma única filha adotiva neta deles. E um bom contador de causos de caças e pescas, mas o atrativo mesmo era as doses generosas, quase um copo pelo preço mínimo de 50 centavos. A garrafa de Pitu também barata, lá que os papudinhos da Praça das Sete Palmeiras se abasteciam – vide (“Vila Embratel/Praça Sete Palmeiras” na Amazon) . Pressionado pela idade bem avançada do casal venderam a casa para o barão dos barões que o transformou em vários pontos comerciais e bem no canto funciona uma galeteria. Lucki Luciano todo de preto, óculos escuros camiseta manga comprida e bermuda e uma sacola com um par de tenis da Nike usado. - Quem ficou chorando? – ironizou Gordilho que arrumava as mercadorias recém chegadas nas prateleiras, que estavam quase vazias. Sr. Com emparelhou ao lado de Lucki na frente do portão de ferro da quitanda com sua caneca que entregou para Gordilho. Pouco depois voltou com ela com café e devolveu ao poeta. - E ai, Gordilho, tu e seu poeta tão me tirando – disse com aquela voz típica de malandro manhoso da periferia, escandindo as palavras e mexendo a cabeça para os lados. Sr. Com pagou-lhe uma dose e retornou para ao atelier e por tabela para Sartre e Bouville – que segundo um dos Hall(IA) Bouville talvez seja a cidade de Halles, onde o mestre lecionou por uns anos. O barulho típico do carro de Monsieur Sanantoine, o negão das polpas anunciava que ele passaria do outro lado vindo do mercado. O odor de comida refogada. A luta de seu Sandomingues com a esposa acamada. Problemas oriundos de uma radioterapia mal-feita e descobriu que a morfina causava-lhe prisão de ventre. Quando de repente jogaram a bicicleta na calçada da oficina e entrou todo desconfiado. Era Lucki Luciano de farda trocada. - E ai seu poeta, paga essa – mostrou uma caixa de fones para celular. - Eu não tenho celular, leva para Gordilho. - É mesmo – apanhou a bicicleta e montou lesto e rumou para a quitanda. Gordilho também o reformou e indicou a menina da Loja de Rações em frente ao lado do lava-jato. - Vou lá! – e subiu na magrela e quando demos já estava na porta da loja entrando com a caixa na mão. Quem foi a vitima? Com certeza alguma loja de acessório para celular. Esse Luciano! - Hoje é frango e carne moída e tu não vai lá? – perguntou o mestre da mecânica pura Sarney. - Que carne moída nada. Aquilo é carne de soja – disse um descontente. Ao meio-dia e pouco fechou. O tenente bebia uma gelada no varandão Penha. Ed Paul esperava o caminhão da cerveja. No Lasierra pegou quatro pilhas e rumou por dentro do mercado. Joca, o camelô guardava suas quinquilharias e seu Domingos sorvia uma lata de Skol observando-o. Na pensão fritou dois ovos na mesma frigideira e comeu com arroz, feijão e o caldo substancioso de uma galinha cozida. E foi escutar o resto do Panico, uma entrevista com o grande Michel Sulivan, autor de vários sucessos do nosso cancioneiro popular, autor de uma “tarde de Domingo” com Tim Maia e Gal Costa – uma fera e uma boa entrevista. Sensibilizou-se com a dor da perda dos três pequenos órfãos, perderam a mãe num trágico acidente automobilístico. Deus meu! Lembrou do seu pequenino distante. Seus olhos lagrimejaram enquanto banhava-se no quintal depois da barrigada no banheiro. Pensou nos meninos chorando, procurando pela mãe. Oh! Deus!
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