O mundo do sr. Con - friday night & Samedi matin

Data 01/08/2026 17:43:13 | Tópico: Textos

Friday night
No final da tarde, o sr. Vince teve uma crise anunciada no banheiro, suas pernas falharam e foi a lona e não conseguia levantar. O sr. Com e o genro o suspenderam e o levaram-nos aos trambolhões para o quarto e deitando-o na cama.
Cruz-credo pensou o sr. Com lendo “Fogo-fatuo” de Lins do Rego. Preocupava com a suade do sr. Vince, um dente inflamou inchando seu rosto, agora as pernas falharam e acima de tudo diabético. Sr. Com tomou a ultima dipirona – uma musica brega vem dos bares da Praça das Sete Palmeiras. O nariz entupido e vez enquanto espirrava.
AGOSTO
Samedi matin, 01 aoüt 2026
Volney carregava um fogão no carro de mão, deixou-o quase no meio-da-rua e entrou para falar com ‘profeta’ rapidamente:
- Tá bom, sim. È para fazer o meu almoço. Tenho um irmão que é gaiato e para não matar ele, vou levar para fazer a minha comida no meu quarto – desabafou, tresandava a cachaça e muito revoltado.
Tio Chagas com a bíblia debaixo do braço e o guarda-chuva pendurado no braço a caminho do culto matinal sabático na Adventista e o fiel Chocolate desconfiado o acompanhava de longe.
- Ei! Seu Constantino! – disse o vizinho barbeiro varrendo o rego da calçada em frente a oficina.
O circunspecto vizinho da frente monta na bicicleta. Seu Bin, o fofoqueiro do mercado, o leva e traz e inimigo figadal de seu Raimundo Zarrolho desde quando era um dos vigias do mercado.
Um gato atravessa ligeiro bala a avenida, enfurnar-se no beco, varando pela grade. Vinha da putaria ou da gataria – a noite é o reino deles – isso é em qualquer lugar – seja nos becos de Manhattan, NY ou no Convent Garden de Londres. Você ouvirá a miadeira e os esguinchos. Os da pensão são caseiros, principalmente as fêmeas. A sra. Vince e a filhota não dão moleza e sempre os vigiando – mesmo assim alguns ardilosos escapolem para a noitada.
De manhã cedo Lucki Lukiano assombrava na janela fechada de Gordilho – chamando-o. O poeta suspendera a porta e fez-lhe sinal para aproximar-se.
- Gordilho não tai, deve ter ido ao mercado – disse-lhe poeta.
- É! Trazia um anel de aço inoxidável que achou de bobeira – e ai? Mostrou-lhe com aquela malicia de ladrão velho.
- Eu não uso essas coisas – enfatizou o poeta
- Tá! - E ganhou a rua.
Minutos depois, Gordilho abria uma banda da janela e suspendia a porta da quitanda. O poeta pousou Sartre/Roquentin sobre a mesinha e apanhou a caneca emborcada no gargalo de um litro seco de um uísque baleado e rumou para lá com a bermuda rasgada na bunda que teima em usar.
No meio da manhã. Aleluia! Aleluia! Negociou um ferro com seu Jorge, deu uma real para Luki Luciano que moscava por lá.
O negro cachaceiro Passarinho encabulou o mestre seleiro José Amaro com suas historias de cavalaria que aprendeu com um cego quando foi seu guia ainda menino – Esse Lins do Rego é porreta, da mesma estirpe de Guimarães Rosas, Graciliano Ramos, Jorge Amado e Rachel de Queiroz – escritores que não fugiram de suas raízes.
Enquanto a esposa colocava os sacos de lixo na beira da calçada, o marido saia com dois botijões secos de agua mineral.
Desde terça-feira que Dezão não aparecia, internou-se com umas gorotinhas na segunda feira. Muitos dos habitués do Popular ficaram a ver navios – foram apenas 250 bandecos prontos para viagem. Mano Brown foi um deles.
Quase meio dia. Gordilho foi comprar bolo de macaxeira para o pai merendar a tarde. O poeta esqueceu de acrescentar na prateleira de seu Isidorinho – as latas de leite Ninho e Gloria, os enlatados de carne da Swift e as sardinhas Gomes da Costa.
Será que a Anny de ‘Nausea’ era a grande mestre e bela Simone de Beauvoir? Roquentin retorna a Paris despois de quatro anos em Bouville. E a reprodução do retrato de Emily Bronté pintado pelo irmão alcoolatra.
- Seu Constantininho, o senhor ainda tá ai?: - pergunta idioticamente o cunhadinho do barbeiro ao lado.
Chuvisca na Vila Embratel, umedecendo o asfalto e o aroma infantil de terra molhada rejuvenesce as recordações do poeta. O papo cabeça entre Roquentin e Anny – obra prima do existencialismo puro. E ele volta para Bouville e ela parte para Londres com um cavalheiro que a sustenta



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