
Samedi nuit, 01/08/2026
Data 02/08/2026 12:38:15 | Tópico: Textos
| Samedi nuit de aoüt Seu Carlos, o factótum chegou ainda pouco e eu fritava dois ovos para jantar com caldo de carne de panela, feijão e arroz. Assisto a série “Marie da Morte” – a Kerkovian de saia – a medica que assiste a eutanásia em doentes terminais com doses letais de Pentobarbital. Um filme idêntico ao drama que uma amigo viveu e morreu – Seu Milson não tinhas parentes, vivia jogado e ébrio, dormindo no inferninho da Praça do pescador, Portinho – Viera do Rio de Janeiro, assim ele me contava – pois bem por obra do destino uma senhora Dona Honoria o resgatou, ele virou um abstêmio convicto e ela montou um box para ele na feira da Praia Grande (Casa das Tulhas), bater e vender juçara, camarão e farinha. Nessa luta diária conheceu o doutor, um bacana, advogado, professor universitário que morava no Renascença, que o convenceu a trabalhar para ele como caseiro. Seu Milson mudou de malas e cuias para a casa do doutor – factótum. Legal, todos ficamos felizes. Uma bela manhã, chegou contente na oficina, na época no Beco das Picas no Portinho/Desterro. - Seu Constantino, o meu patrão é gente boa e gosta muito de mim, me gaba muito – disse exultante com seu cinto de fivela de peão de rodeio de Barretos. - É mesmo? – perguntei curiosamente. - É fez até um seguro de vida para mim. Não é muita amizade e confiança? Parei de malhar um ferro em brasa na bigorna, na epoca um vigoroso ferreiro de beira de forja. Olhei-o. – Fez um seguro de vida para o senhor? - Fez, seu Constantino, fez. Achei estranho, pois o seguro beneficiaria alguém, menos o morto. Mas o inocente de seu Milson não via maldade nenhuma e nos despedirmos. Passou uns tempos as visitas nos finais de semana rarearam e um dia chegou a triste noticia: Seu Milson morreu de causas desconhecidas. Talvez nem o autopsiaram e foi enterrado num interior num caixão selado. Não é estranho? Coincidência lúgubre e ninguém até hoje não sabe de que. E no filme o mesmo enredo – a patroa faz o seguro de vida da jovem empregada de 35 mil dólares em nome do filho, um dia depois, ela despenca de um despenhadeiro a beira do oceano pacifico, num passeio com os patrões. Um acidente muito duvidoso. Bem até hoje tenho essa pulga atrás da orelha – uma vez, nos encontramos casualmente e ele me levou até a casa – uma mansão. Antes das dez da noite despedi-me do sr. Roquentin que voltou a Paris com uma renda de 1.200 francos mensais e vivia tranquilo – pagava o quarto e alimentava etc. Sr. Com sonhava com os 1.600 reales – daria tranquilo para realizar seus sonhos. Recomeçou “O Pobre de Deus” do grego Niko Kazantzakis e ingeriu o quarto comprimido de dipirona para anestesiar o cotidiano noturno. Na sala a sra. Vince já um pouco alta desfiava seu rosário de reclamações contra todos. Procurando chifre na cabeça de cavalo. Deixou o grego e São Francisco e voltou ao sertão paraibano do “Fogo-fatuo” – o bicho pegando para o mestre seleiro José Amaro, o cangaceiro Antonio Silvino – e o coroné querendo expulsa-lo de suas terras. Dimanche, 02 de aout de 2026 Uma hora da manhã – vou a lona outra vez, levanto-me, fecho a janela, antes espio a bela lua, apago a luz e deito-me.
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