
Lábios de Mel
Data 03/08/2026 09:44:52 | Tópico: Poemas -> Paixão
| Lábios de Mel
Neste morticínio de Outono, Cansado de folia e desgosto, Jaz o triste poeta, em sono, Ébrio dos frutos de Agosto, Sonhando febril, em abandono, Teus lábios de mel e mosto.
Teus lábios de ninfa, beijam os meus – toque de mariposa – Esta flor inerte ao vento. E meus lábios, os teus, desejam Sentindo o hálito de esposa, Sôfregos desse casamento.
E, num acordar doloroso, Sem querer quebrar a fusão, Minha boca, de tão sedenta, Neste amplexo amoroso, Corpos ardentes de paixão, Te explora, desejo formoso!
Beijo tua face adorável, Teus olhos fechados, carinho, Teus seios rosados, doce sugar. Beijo teu ventre a palpitar, Teu velo, tacteio o caminho, Num convite, meigo, afável.
Beijo as tuas pernas em arco Que anseiam prender, em enlace, Meu corpo no teu, em osmose, De que me furto, tão parco, Para que te cheire e abrace. Num ritual de dança te espose.
Sobre ti, pétalas de rosa, Lanço, e ébrio desses odores, Te beijo, em carícias ternas, Renovo a junção amorosa Enquanto esvais teus humores Fonte de correntes eternas.
Nesta vida primaveril, Renovado de prazer e cio, Te afago o corpo fremindo. Te penetro, suave e viril Teu intimo, fundo macio, Devagar, gozo, advindo.
Neste ardor, dia de verão, Teus prazeres, meus delírios, Sonho nosso amor infindo... Teu corpo tomado, vulcão, Teu corpo, um campo de lírios, Brotando vapores, se vindo...
E retomo teu corpo nu, Num delicioso orgasmo Tudo de mim, êxtase e linfa. Que se entranha, minha ninfa, Nesse teu corpo, em espasmo ; Teu corpo no meu, ou eu e tu.
Mas eu, mortalha de inverno, Cinzenta, nublada, dura, Perco-me no poeta, tremendo, Na chama eruptiva d’ inferno, Grotesca bruma escura, Viela sinistra... Horrendo!
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