Entre o asfalto e a seiva

Data 09/08/2026 14:58:39 | Tópico: Poemas

com primaveras imensas desabrocho gradualmente,

e com estas tenho tombado,

a fronte feri e à sapiência me curvei,

descobri que em mim habita

alguém até então desconhecido,

alguém que sempre fui

e jamais o soubera



ai como aquilo que outrora

detestava hoje venero

e o que antes venerava agora

em mim nada desperta

ai, que paradoxo é este da vida



sei que a cada dia visto mais

camadas d'uma seiva de autenticidade

e também regresso às minhas raízes

aquelas que também desconhecia possuir



hoje procuro que a minha paz interior

espelhe a exterior

pois a cosmópole enche-me de confusão,

os habitantes do monte de betão

que pomposamente corrupiam,

escravos do relógio são,

e com a perda das galés do asfalto

neles morre o dia e impera a ira



do pó viemos ao pó nos tornaremos,

é proverbial,

da terra sou, não da urbe planetária,

os meus pés à terra se enraízam

e a esta me sinto pertença



sonho n'um viver bucólico

onde a pressa não persiste

e mãos vizinhas se me estendem

e nos meus canteiros antigos de bálsamo

comungarei com a corte de palha mansa


Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=385219