
Akasha Carne
Data 12/08/2026 16:46:07 | Tópico: Poemas
| Veneno que escorre do teu beijo para os meus lábios desnudados. Tenho a boca aberta, a língua exposta, como quem diz: «Afoga-me e mata-me.» Porque eu aceito morrer em ti.
Sussurra ao meu ouvido os teus segredos obscenos. Coloca na minha garganta cada verso do teu maldito amor. Condena-me ao teu desejo, cavalga-me com o teu verbo, fode-me e explode dentro de mim o teu universo. Ama, com verdade, a minha carne. Ama a minha fragilidade, o meu corpo cru, inteiro e vulnerável.
Mata em mim essa necessidade de ser acolhida, de ser mantida na tua pele, como se nunca tivéssemos sido coisas separadas.
Segura os meus seios entre as tuas mãos e alimenta-te daquilo que um dia dará vida aos teus filhos. Olha-me nos olhos. Colhe-te em mim, planta-te em mim e farta-te de me engolir o suor doce.
Diz que me odeias todas as manhãs, porque sabemos que sou a tua fragilidade.
Segura o meu rosto como se ele pertencesse às tuas mãos, como se fosse uma peça que só pudesse encaixar em ti, impossível de ser moldada em qualquer outro lugar, porque se coseu à tua pele.
Enrola-te no meu colo. Fragiliza-te. Liberta-te daquilo que precisas ser para o mundo, mas não para mim.
Muda a tua vida. Muda a minha. Nasce e morre comigo. Planta comigo os teus dias. Escolhe com cuidado o teu propósito.
Tens apenas uma vida.
Sou eu.
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