
Os que acordam o vento
Data 13/08/2026 23:03:58 | Tópico: Poemas -> Reflexão
| Tem aqueles que são como casa de portas fechadas, Com janelas que nunca se abrem, E cortinas que escondem até o próprio sol. Ali dentro, a poeira é cômoda, O ar é velho, Mas ninguém questiona. São muitos, São vozes repetidas, São rostos que assentem sem olhar. Mas tem também os outros... Os que acordam o vento. Os que entram rasgando o ar imóvel Com perguntas que doem, Com silêncios que acusam, Com gestos que te empurram para fora de ti. Andar com eles É como caminhar em bordas de penhascos invisíveis, É tropeçar nos próprios passos, É descobrir que chão firme pode ser ilusão. Eles não te oferecem abrigo, Mas te dão asas estranhas, Feitas de dúvida e desejo de ir além. E o preço? O preço é a perda das antigas certezas. É o exílio dos cômodos afetos. É a dor de ser estrangeiro até dentro da própria pele. Mas o prêmio... Ah, o prêmio... É a lucidez que nasce como claridade depois da tempestade. É o olhar que atravessa véus, É o pensamento que se recusa a ajoelhar. Nunca, jamais, Faças parte da procissão dos adormecidos. Não te tornes cúmplice do eco que nada diz. Escolhe sempre Os que te obrigam a crescer, Os que desarrumam teus móveis interiores, Os que te ensinam a soprar as cinzas Até que reste apenas a chama. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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