
QUANDO A JUSTIÇA CHEGA TARDE
Data 20/08/2026 23:08:52 | Tópico: Poemas -> Sociais
| Há casas que não são lares são prisões sem grades onde o medo aprende a respirar em silêncio
Nas paredes o eco dos gritos mistura-se com o choro abafado de mulheres de alma rasgada de crianças a quem roubaram a inocência de idosos que envelhecem sob o peso da humilhação
As mãos que deviam acariciar transformam-se em punhos as palavras que nasceram para amar vestem-se de insultos e tornam-se lâminas invisíveis
A noite fecha os olhos mas não consegue esconder as nódoas negras da dignidade e cada hematoma é uma página escrita na pele da esperança
E a Justiça... quantas vezes chega tarde? quantas vezes caminha com passos demasiado lentos enquanto o carrasco continua livre respirando o mesmo ar que sufoca quem sobrevive?
Há sentenças que nunca chegam há processos que se perdem há vítimas que desistem antes de serem ouvidas porque o cansaço também é uma forma de morrer
Mas cada silêncio quebrado é uma centelha cada denúncia é uma porta entreaberta para um amanhã menos sombrio
Que a lei não seja apenas tinta sobre folhas esquecidas mas um escudo erguido contra a barbárie
E enquanto houver uma única mulher uma única criança um único idoso a viver com medo dentro da própria casa a nossa consciência continuará sentada no banco dos réus.
Mário Margaride 07-08-2026
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