O Cais da Partida

Data 21/08/2026 14:16:55 | Tópico: Poemas


Este cais de partir de onde eu parto
quem mo indicou para partir? Qem foi? ...
Esta corda que me prende e desata,
este adeus, que um adeus nunca foi,
como é que o pude aceitar?
Não sei! Não me lembro, foi perverso,
só me lembro da outra terra que depois avistei...
Era um porto - talvez - foi um porto!
Mas a paz nunca lá encontrei
embora manso tivesse sido aquele ancorar ...
E ninguém me veio procurar!
Só me lembro que era dia de névoa,
eu partia, o mar não tinha luz
e os meus olhos, ai os meus olhos, que presos ficaram
ao cais da partida. Lá de longe os pus. Lá ficaram ...
Que levei comigo? Que deixei?
Só sei que, por meu mal, nessa hora amarga, ao partir, p'ra sempre da minh'Alma me separei ... oh meu longinquo e amado Portugal!
Adeus Cardeal! Adeus ...

(Versos a todas as forçadas fugas, ao eterno adeus da minh'Alma a todos os "Cais das Colunas", a todos os "Paços das Ribeiras" da minha vida em todos os momentos da minha existência de que me lembre, de que me não lembre ou até de que saiba e não me lembre ...)


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