O mundo do Sr. Con - monday, 24/08/2026

Data 24/08/2026 20:09:16 | Tópico: Textos

Monday morning, 24 de agosto de 2026

Pombos sedentos equilibravam-se no cano da torneira para bicar os pingos d’agua que gotejavam na Praça Sete Palmeiras, Vila Embratel. Perdi meu gorro, muito louco – no sábado eu e o pedreiro Milson matamos três litros de vinha na oficina – e depois só Deus sabe. Meu filhote telefonou e eu estava dormido bêbado. Ontem passei o dia todo ruim, não almocei e nem jantei – comi apenas umas laranjas – um pequeno filete de sangue num escarro, a garganta inflamada. Aliviei-me mesmo quando vomitei os gomos das laranjas sob a rígida vigilância da lua em quarto crescente.
Essa caminhada da padaria para cá, descendo em linha reta a pseuda-avenida Sarney Filho com suas calçadas irregulares deixou-me exausto e quase não conseguia levantar a porta. O cheiro dos salgadinhos na esquina da 18, na antiga casa dos estranhos fundo ex quitanda de seu Isidorinho no canto da 19. Um casalzinho românticos e abraçados na parada de onibus em frente ao D’Bol – a passagem pelo estreito de Ormuz e um gato atropelado e morto na sarjeta em frente a residência do radialista Collorzinho. O galo canta no quintal vizinho. Café com leite que Gordilho me deu e divido com Dezão. Ganhei uns livros do estofador Zé Marques – o suprassumo da literatura maranhense, entre um o ensaio do mestre Carlos Cunha sobre o grande poeta Bandeira Tribuzzi, três Nauros Machados e “Fala Amendoeira’ do mestre mineiro de Itabira Carlos Drumond de Andrade. O filho mais velho do mestre Valdecir apressado no seu passo peculiar para o trabalho – Dezão, Volkei e Juvan Jr. foram para a casa de Dona Telma se ficharem com uma candidata. Dezão parece que extrapolou na medicação – está manso como um carneiro e falando pausadamente. O fluxo continuou de veículos. O tempo nublado. Um arroto doido. Um caco de dente rapando na língua e ferindo-a levemente. Um incomodo. Meu filhote nos confins do Parazão exercendo sua profissão de técnico em enfermagem – Que Deus o proteja de todos os males! E eu sonhando com as cartas que nunca chegam das editoras (três) e nem chegarão.
-Olha a farofinha? – oferece uma guerreira com uma caixade isopor pendurada no ombro.
- Não, obrigadas e boas vendas.
- Obrigada.

-É bom te ver! Gritou o cumpadre apressado com sua sacolinha rumando para sua loja na parte externa do mercado na rua 16.

- É hoje Super-Itamarati no mega evento no CB, 450 – anuncia um carro de som.
O poeta Janaike, depois de passar quase a metade da manhã proseando com o velho conhecido, acompanhou o irmão na moto à casa do outro irmão no alto da rua 24.
- É hoje meu filho no CB, porta liberada – anuncia outro carro – No comando de Mister Brown e entrada franca.
Tomei meu nicodin (dorflex) para amenizar as dores ciáticas. Passa um terceiro carro fazendo a mesma programação no CB
Como diria o saudoso e sábio mestre Bamba; “Isso é coisa de politico”
Os habitués do Popular silencioso a caminho de lá.
E a manhã se esvai, esmiuçado pela sombra em movimento. Guilbert bate o ponto de encerramento.
A sra. Vince manteve a sua palavra e guardou o bom mocotó de ontem que requentei e comi duas vezes e ainda guardei para jantar. Estava delicioso. Um pouco de Drumond e de Samson “Soberano”. Um teco-teco monomotor sobrevoa a Vila com seu barulho peculiar.






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