O mundo do sr. Con - Monday night & Tuesday, 25/08/2026

Data 25/08/2026 20:22:43 | Tópico: Textos

Monday night
A sra. Vince e a filhota foram caçar uns gatos fugitivos na casa da vizinha ao lado, que os odeia. Ingeri a ultima metade de Alprozelam, as pilhas acabaram. Resgataram a fugitiva para o bem de todos – mas não deixa de seu um estorvo, incomodar a vizinha. Jantei o resto do mocotó com um ovo no caldo – maravilha!
- Gata atentada – reclama com razão a zangada sra. Vince – Não deixa ela sair de novo. Ela tava com fome.
Alprozelam começa o efeito – bocejos e boca amarga. Um bom banho poético de cuia ao luar do quarto crescente – o importante não é escrever a poesia, mas sim vive-la em todo seu esplendor poético. – filosofou o poeta namorando a lua.
Tuesday, 25/08/2026
O mercadinho de Val aberto. O pm saindo na moto para o trabalho. A irmãzinha dos barbeirinho arriscando-se para fixar o oleado e proteger do sol as frutas, legumes e verduras do sacolão deles. A baixinha apressada e ofegante vindo da academia quase esbarra no poeta no FrigoLucio.
- Poeta, dá de comer para teus cachorros que estão comendo lixo – brinca sarcasticamente Tia Neneca.
- É dele? Esses cachorros? – pergunta um decano do LGTB parando e colocando a mão na cintura. – É dele esses cachorros?
Poeta apenas sorri da brincadeira de mau gosto.
- Seu Com! – sauda da beira da calçada da praça, Blindowski recuperado a caminho do trabalho na reforma de um prédio no começo da Vila Embratel. Blind é daqueles que veste a camisa e exerce qualquer função que o momento obriga-o – já foi caldeireiro, ajudante de pedreiro, vigilante armado, pintor, vendedor de consorcio, montador de placas solares e assim vai – o mal é a manguaça – o mal de todos nós, que infelizmente não sabemos nos controlar. Eu me personifico, basta cinco dose de vodka e já me acho o rei da batata.
A gordinha fardada e de oculos com a mãe aproveitam a carona do pai todas as manhãs bem cedo e as deixam aqui na Praça das Sete Palmeiras. Os pombos velhos insistem em flertar com as pombinhas e são persistentes, as perseguem arrulhando alto para intimida-las. Felpudinha, a cadela caolha e o parceiro galante apareceram do nada e somem. Graças a Deus!
Adorei o filme Mrs. Potter sobre a vida da artista inglesa Beatrix Potter, criadora do icônico “Peter Rabbit” – divinas paisagens tiradas de um livro de conto de fabula. Como adoraria morar num lugar como aqueles – simples e bem poético entre os morros, os campos (as ovelhas pastando) e os lagos.
Felpudinha volta sozinha e senta-se sobre o traseiro e começa coçasse com uma das patas traseira. Preocupo-me com certeza vai querer-me acompanhar até a padaria Renascer e nesse momento deve estar cheia de clientes – e como um ladrão me esquivo dela, aproveitando que mordia as costas, mas não adiantou a bichinha me seguiu, então tive que optar pelo plano B ou seja segui até a rua 19, ela não passa da 18 e deu certo. No canto voltei para trás e não a vi mais – voltei sobre meus próprios rastros.
Dezão agoniado um caboco ficou de vim buscar o vaso sanitário. A bela visão da jovem morena perfeita dentro de um vestido simples que lhe realça toda sua graça.
Frank Puro sob efeito retroativo da lua de quarto crescente – se camisa, a bermuda aberta, piscando em demasia, movimentando os dedos das mãos nervosamente e murmurando inaudível.
Dezão, ao contrario de ontem também está agoniado, envergando a fada de serviço e calçado com a bota que brilha com o sol, anda de um lado para outro.
- O home vem ai – disse-me milionésima vez – Vou comer no Popular. Papai e mamãe viajaram e me deixaram no comando, mas essa minha irmã é muito fulera, quer mandar em tudo – agoniado soa o narigão na gola da camisa – O home vem ai, Bonjour – e levanta-se indo em direção a sua oficina de reparo de carros de mão ao lado da madeireira dos pais.
Val Byron, recuperado do maldito vicio depois de quase um ano internado numa clinica de reabilitação leva um carro de mão para dar um ar no pneu, Dezão desapareceu.
Outra figura, o velho Gilberto ainda em atividade alcoólica vai aventurar umas doses no Gordilho – com três cartões de credito, cada um com sua senha num papel. Loucura -ele também tem seus desvarios: - Minha filha, a doutora juíza de direito deixou foi duas ponto quarenta com quinze bala cada uma. Seus dois filhos já morreram, eram cargas tortas. Mas o senhor Com gosta dele.
Seu Rorré, o reciclador vindo da luta com o carrinho cheio – ex-discipulo de Edir Macedo e agora servidor fiel do apostolo Valdemiro Santiago conta suas aventuras dos tempos que era morador de rua. Despachou uma brancona, criada pelos Murad – “Minha filha procura outro partido, que eu não sou politico” – a convidou três vezes para uma saída e todas elas foram indeferidas com desculpas esfarrapadas. Foi para o Popular e seu Buldo com seu fenótipo de desenho animado vindo de lá com a sacola e seus dois bandecos. Um furgão de um politico deixou uma ‘boca’. O barulho peculiar do carrinho de seu Sanatanio, o negão das polpas de frutas vindo do mercado e de alguém capinando com a enxada.
O rapaz do vaso sanitário veio buscar. Deixei o dinheiro nas mãos de Gordilho – Dezão apalermado horas antes subiu também para o Popular.
Terça-feira no meio da tarde – almoçou um bom cozido congelado que tia Fleur deixou e o retemperou com dois sachês de Sazon carne que bateu na fraqueza e dormiu um pouco, até sonhou e quando despertou concluiu “Soberano”. E no café tomou outro nicodin. Esse poeta não tem jeito.






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