
Memórias
Data 26/08/2026 02:57:15 | Tópico: Poemas
| Quero despir a mente, De todo o ruído, De todo o nome, De toda a promessa.
Quero esvaziar, A minha mente de tudo, Arrancar as raízes, Das palavras que me ferem, Calar o barulho, Que me habita por dentro.
Porque mesmo no fundo, Onde nada mais habita, Ficas tu, Como um osso, Que o corpo não esquece, Como um Deus pequeno, Que não me larga.
Pois restar-me-ás, Sempre tu no pensamento, Como um incêndio que não se apaga, Como um nome gravado, Na pele, com unhas.
São palavras, Que querem chegar, Até mim…
Batem na janela, Da minha alma, Com fúria de maré, Com pressa de ficar.
Outras… Já não batem, Na janela, Arrombam-na, Entram sem pedir, Como a verdade entra, Quando já não há defesa.
Para essa chuva fresca, Num dia abrasador, De verão, Mas esta chuva, Não refresca, Esta chuva lembra, Que um dia fui água, Que se perdeu em terra. Ouço gritos…
Mas são gritos antigos, São ecos que me chamam, Pelo que eu fui, Pelo que eu ainda sou, Quando penso em ti.
E mais uma vez, Deixo a porta escancarada, Deixo o peito em ruínas, Porque o vazio sem ti, É um deserto sem fim, E o vazio em ti, É a minha casa.
Quero despir a mente, De todo o ruído, De todo o nome, De toda a promessa. Mas… Não consigo!
Hoje não penso, Hoje… Sangro em silêncio!
Diogo Cosmo ∞ Edimburgo - Escócia 10-09-2010
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