O mundo do sr. Con - Quarta feira madrugada - 26/08/2026

Data 26/08/2026 20:22:20 | Tópico: Textos

Quarta-feira madrugada, 26/08/2026
A insônia bateu em minha porta e pra tenta-la combater, releio “Nausea” de Sartre. O sr. Vince alto no quarto do casal, escrevo em pé e descalço, apoiando as folhas. de papel almaço sobre a cancela ou meia-porta que a astuciosa Sra. Vince mandou fazer para evitar que seus felinos invada o quarto para fazer suas imundícies, mas não adiantou de nada. Brotam umas feridas nas minhas costas. Para ler deitado na rede na penumbra, aproveito a réstia da lâmpada da copa-cozinha.
Calço as sandálias da humildade desgastadas e pinadas nos cabrestos por arames e vou à exígua sala de estar as escuras ver as horas no silencioso relógio a pilha pendurado ao lado da tv de tela plana na parede. São uma e quarenta da manhã, um veículo sobe devagar ladeira da rua.
DE volta a copa-cozinha sento-me a cabeceira da mesa patriarcal. Duas laranjas amarelam-se na fruteira verde de plástico, uma caixa de papelão com uma cafeteira elétrica raramente usada. As farinheiras, o paliteiro, a sopeira artesanal de barro, o deposito plastico das colheres, facas e garfos e sua tampa transparente – todos repousam candidamente sobre ela.
O gotejamento em pingos das velas do velho filtro de barro de duas peças.
A moto do vigia da rua e sua sereia. Voltei a tomar Tanduo, poderia ocorrer pesadas consequências como me alertou o velho Hall (IA) – Fox ou Dog que poderiam levar-me ao pronto socorro. O auxilio caiu ontem, mas vou saca-lo na quinta-feira, 27 dia da consulta com urologista no Hospital da Mulher na área Itaqui-Bacanga e levarei as xeroxs do processo do DPU para o Dr. J na repartição – a espera será longa, mas será como Deus quiser. A sra. Vince tosse ao lado do marido roncador, são mais de cinquenta anos dormindo juntos.
Um jumento zorrilha bem longe, assim como os cães que ladram para a lua em quarto crescente. Outro avião, o primeiro passou horas atrás, talvez seja o mesmo indo para o norte. Um vento farfalha os galhos da laranjeira no quintal, carregada de frutos que adoro. As sauvas exterminaram a roseira e suas flores brancas – filhas da puta!
“Nausea” me complementa, afinal assemelho-me ao personagem Roquentin – sozinho e morando em quartos de hotéis em Bouville. E eu que não sou chegado a filósofos – mas Sartre é Sartre, mundialmente famoso com o relacionamento moderno com a bela Simone de Beauvoir, ajudou a salvar Genet da execução, talvez amigo de L.F.Celine – que ainda não li.
Santo Deus! – São duas e meia, meu calção fede a mijo – vou ao banheiro, pela segunda vez, urino, dou descarga para não contrariar a vigilante senhoria, que tudo vê, escuta e cheira. Hora de recolher-me – talvez quando eu estiver num quartinho aprazível no centro com uma janela para um beco ou uma bela vista dos telhados, amanheça escrevendo como os meus mestres Balzac e Dostoievski faziam. Arroto laranja e as frieiras dos pés comicham levemente e eu sonho.
Quinze para três – e uma galo começa tecer o amanhã. Volto para o meu aconchego, a barriga ronca e o medo de uma flatulência com excrementos fecais. Agradeço a Deus e deito-me e peço-lhe a proteção para o filhote distante. Amém.
Quarta-feira manhã
O pixixitinho da frente vai sozinho para o colégio. Um serviço descartado. Uma bela barrigada de manhã cedo ao acordar. Nozira ou Careca, o homem do rap queria que eu fizesse uma enxada, pois a que lhe vendi uns meses atrás ‘o dono’ levou. Fomos entrevistados por Cadete para a serie “Vozes da Quebrada” do Ministério da Cultura e me adianta que meu livro vai sair. Cadete é porreta! Um bom agente cultural.
Começo da tarde
- Até pra falar.. eu não tô lhe pedindo nada – resmunga zangado Mijão após procurar por Might para seu Lasierra concentrado no celular. No Charmilhe, o amor estar no ar, a guarda e seu novo amor compartilha uma mesa com a decana Noca. A lourinha dos colômbias, que mora no Ribamar, com sua calça colante atende seu Lasierra.
Eu cansado, depois da longa marcha pelo centro – começou no Diamante, onde deixei os documentos para o Dr.J na repartição. Na banca em frente ao Costa Rodrigues – comprei uma Veja e uma Superinteressante com o troco dos dez reais de Dezão e da xerocs do processo. Abonei-me na Caixa da Deodoro, entrei pela rua do Passeio, desci a velha e boa rua grande atrás do genérico do tanduo – comprei no final – atravessei o começo da avenida Magalhães de Almeida e no canto do beco da Prensa com a rua da Palma/Herculano Parga -encontro um velho parceiro das antigas, que dizendo ele estar morando no prédio colonial reformado onde outrora fora a Secretaria de Administração do gov. de João Castelo (1978-1982) – quer me alugar, mas tenho que adiantar três meses – mil e quinhentos – isso não está me cheirando bem. Não comprei nada na banca da Dona Loura.
Na pensão dei a parte do leão para a senhoria, paguei Ed que confirmou o que Nozira me disse – o livro tá encaminhado. Depois que a Loura saiu paguei os cincoenta de Seu Lasierra, os dez domeu cumpadre e vim para pensão deitar-me para ler as revistas – almocei uma boa galinha com feijão e descansar para amanhã.








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