
O mundo do Sr Con - 27/08/2026
Data 27/08/2026 23:40:02 | Tópico: Textos
| Quinta-feira, 27/08/2026 Ontem fez um ano que Black ou Avelar foi embora. Dormi que nem uma pedra, não teve nem pit-stop para urinar. Paguei os trinta dias de pães adiantado na padaria Renascer e Gordilho e Ed Paul também – resta-me apenas trinta e quatro reais, mas estou em paz comigo mesmo. Começo da tarde. Hall externo do Hospital da Mulher, debaixo de uma enorme tenda no estacionamento.. O prédio em reforma. Sou o quarto e são uma e quinze e o atendimento começa as quatro. Encontrei-me casualmente com o poeta Janaike na parada em frente ao D’Bol. Pagou uma lotação até a praça do Bacanga e mais cinco reais. Cara legal, esse poeta – ele que custeou um exame de vista de mais de trezentos reais. O barulho das esmerilhadeiras e outras ferramentas, o pau cantando atrás do tapume de telhão de alumínio e os operários em obras. Um carro para em frente da porta com a logomarca da Prefeitura SEMUS – é o carro da barnca (a diretora) que senta-se atrás. Uma ambulância, o maqueiro entra com a maca vazia. O motor ligado. O movimento continuou do transito pesado da Avenida dos Portugueses – do outro lado a entrada do Jardim Botanico da Vale – Há anos atrás vim com meu filhote num sábado a tarde e não entramos, tínhamos que agendar – Merda burocrática – também não voltamos mais. A maca com a paciente entra na ambulância. O calor abafado da cobertura do toldo. Por trás do tapume, um operário emassa meticulosamente a marquise. O zelador na função. - Boa tarde! – disse uma funcionaria retornando do almoço. - Duas e quatorze – disse um dos operários. - Só tem quinze na minha frente só – disse uma senhora rotunda sentando perto da senhora dos lanches. Uma guarda posuda – lembrei-me de Black exercendo a função no Hospital Djalma Marques, o Socorrão no centro – enquanto o marido morria na UTI, ele comia a esposa no almoxarifado. Esse Black na época era garanhão, não dispensava nada, predador. Quando não tinha nenhuma, tinha três engatilhadas. Caboco bom. Outra ambulância, o paciente desce andando e mais outra chegando e dando de ré. O pintor alheio ao drama – emassa e passa o rodo ao mesmo tempo. O paciente vai de cadeira de roda. Um grupo de jaleco sai para merendar. Todos vem fazer exames, tomografia como eu fiz meses atrás cheguei aqui meia-noite também de ambulância do Hospítal Bacanga. - O senhor tá fazendo o quê: lendo ou escrevendo? Perguntou a esposa de um conhecido lá da Vila Embratel, sentando atrás de mim. - Os dois - respondo. Uma senhora fez uma cirurgia de coluna a laser. Tio Willi fará uma de hernia inguinal aqui também.. O funcionários da prefeitura podam os galhos das árvores do canteiro central da avenida. Mais de cinco horas da tarde – e uma baixinha avisa que o doctor está fazendo uma cirurgia no Aquiles Lisboa e vai demorar um pouco. As seis somos remanejados para outra sala dos consultórios. E a expectativa é grande. O doctor chega e entra e começa a atender. Sou o quarto. Sou chmado, entro mostro-lhe os exames ele passa uma vista neles. - O sr, sabe o que é? – pergunta - Não – respondo ansioso. - Nada. È apenas um nódulo sem importância fique tranquilo.
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