O mundo do sr. Con - friday madrugada, 28/08/2026

Data 28/08/2026 20:05:08 | Tópico: Textos

Friday madrugada, 28/08/2026
São três e quinze da manhã – ouvindo um clássico da Marron (Alcione) na Mirante FM. Tentei reler “Coronel Chabert” do mestre dos mestre da literatura universal – Balzac – todos que escrevem, tem que o reverencia-lo, o homem é um manual prático de redação literária. Dostoievski que o diga – traduzi “Eugenia Grandet” para o russo e o presenteou pessoalmente.
Depois do alivio meio duvidoso do Hospital da Mulher, resolvi fazer uma caminhada inversa. Com o Mateus Mix, a avenida dos Portugueses, Vila Isabel tomou um ar de fidalguia e varias lojas de peso seguiram seu exemplo.
Bem em frente a antiga Aço Maranhão (aluga-se) um batida da PM e foi exatamente ai quando coloquei a perna na calçada desse colosso, a minha lombar deu sinal de vida. – E a lua despontava magneticamente sobre a cidade.. Manquejando entrei no Hospital do Bacanga (antigo Unidade Mista do Itaqui-Bacanga obra do gov. Cafeteira – 1986 a 2000). Um jovem esculapio que ainda nem saiu dos cueiros do curso atendeu-me descontraidamente e receitou como de praxe duas injeções muscular no bumbu – uma dipirona e outro analgésico que esqueci o nome (Maldito Alzheimer) – arrependi, sai de bunda doida.
Atravessei o semáforo e apanhei um Tamancão, descendo em frente ao CEPRAMA na Madre de Deus – outra a travessia sem semáforo pela faixa de pedestre as três pistas, arriscando-me a ser atropelado pelos imprudentes apressadinhos que não respeita nem a faixa e nem o pedestre. Sorte um Paraiso-Bacanga semi vazio. Sentei-me atrás acompanhando a lua.
Quando cheguei na pensão e vi a Sra. Vince no terraço com as mãos na cabeça entendi o drama – não deu agua. – Hoje tem eclipse começa as dez – avisou-me – e termina as quatro da manhã. – Sorri.
Balzac mestre em esmiuçar o máximo possível a descrição do ambiente e de seus personagens. Mas sigo a escola Hemingwayna – a linguagem telegráfica como preconizava outro mestre o russo Anton Tchecov – adoro “Estepe”. A eclipse lunar acabando e eu não a vi, mas nove banhei-me ao lindo luar que clareava todo o quintal em tom prateado. Depois do substancioso jantar – arroz, feijão branco, sopa e um bom ovo frito ( não almocei, enganei o estomago com uma maçã na oficina que ganhei de seu Bude e uns mentos que comprei no hospital da mulher) – Tomei duas Tanduo. Cochilei com o radinho ligado depois da Voz do Brasil e despertei as duas e meia e aqui estou no meu serão literário em busca da escrita perfeita. As quatro o Sr. Vince sai sutilmente do banheiro.
- Quatro e seis – anuncia a voz – um cão ladra para os mortos e seus fantasmas na rua deserta.
Manhã
A morenona bonitona, quarentona, do residencial Resende, de short de malha colante, suada, vindo da academia coçou discretamente a ‘xereca’ no meio da praça das Sete Palmeiras.
- Ei, gaito! – saudou-lhe Seu Raimundo Zarolho, todo pimpão pedalando a velha monarch.
Blind apressado fez-lhe uma mesura, o poeta ameaçou ir até ele: - Não, não estou muito atrasado – com certeza será o funcionário do mês.
Ele e Black dividiram um bandeco, uma tiazinha do São Benedito – caso sério – rolou um papo na oficina – Agora fica com ela! – disse Black injuriado.
Banhei-me com meio balde de agua. A falta dela é generalizado em quase toda cidade.
A professorinha gostosa, toda moralista, daquelas que não arreganha dente pra ninguém a caminho do trabalho – mas não resistiu aos encantos sexuais do velho Black que a traçou duas vezes. A primeira ela foi deixar na casa dele numa manhã de sábado cedo e a segunda casualidade – ele vinha do reggae do CB-450 na madrugada de domingo e ela o abordou na entrada da rua e o taxiou para casa dela mais acima. A foda foi em pé na sala e o cornão bêbado no sofá. Cara, que loucura” Por isso o reverenciava. Ele me presenteou vários livros que surrupiava da finada avó – entre eles “Sete Anos no Tibet”, “O Corsario Negro”, “Os irmãos Corsos” e outros.
Abasteci-me com uma cartela de diazepan de 10mg por dez reais. Tomei uma metade, cinco miligramas correm em minhas veias e depois vão amortecer o meu cérebro. Um vez viciado sempre viciado. É o diabo!
Os pés do mestre Dezão super inchados – segundo a vizinha é a resma da mardita. O médico da UPA aplicou-lhe um anti-inflamatório e receitou uns remédios.
- Eu não vou trabalhar, meus pés estão inchados – desabafou Dezão vindo do Gordilho com seus nissin- niojo e duas gorotinhas da pura – Eu vou relaxar, tomar um banho, deitar-me, não vou buscar mais porra nenhuma – saiu pesadão com seu corpão de elefante marinho.
A diazepan em efeito – Relendo “Coronel Chabert” – Viva Balzac e suas divinas criações literárias – O belo da “Comedia Humana” com mais de cem romances é que os personagens se entrelaçam – O poeta Luciana (Ilusões Perdidas) é descaminhado por Vautrin (Pai Goriot) onde Rastignac corneia o genro de Goriot, o fulero banqueiro Nuncigen com sua bela filha e volta a “Miserias e Expledores das Cortesãs” apaixonando-se pela amante do mesmo Luciano, a bela judia Ester e assim vai. – Balzac morreu aos 51 anos deixando um colosso literário muito bem costurado.
O menu do Popular: Torta de carne ( que desconfiam seja de soja) e desfiado de frango. Tomei uma dose de mel puro no Gordinho.
Mais de meio dia e findo com tristeza “Coronel Charbert” é quinta vez que o releio – uma edição do Clube de leitores São Paulo – 1951.
- Popular, ladrão! – gritou seu Rorré apressado debaixo do sol escaldante.
Na pensão, a sra. Vince cochilava sentada na cadeira abacial e a tv sem imagem somente o áudio, desconectei a tomada e a meti de novo – a imagem e o som voltaram – confirmada a morte do maranhense de Imperatriz na Guerra da Ucrania – pisou numa mina terrestre em Donnerskt.
Ouço Panico e almoço arroz, feijão branco de ontem e um fígado. Depois tentei “Alguma Coisa Mudou” do enjoado do Joseph Heller – mas travei e depois do sono um pouco de Nausea do mestre Sartre e Chet Baker para azulejar a tarde.







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