
À REVOLUÇÃO - TRÍPTICO
Data 30/08/2026 19:44:50 | Tópico: Sonetos
| À REVOLUÇÃO - TRÍPTICO
LIBERDADE
Face de mulher negra americana, Onde há marcas da vil escravidão, Seja égide a s'erguer contra a opressão Em vista d’uma terra soberana.
Com ramos de café, feixes de cana, Se ilustre a tropical conspiração. Que do súbdito se faça o cidadão Inundado de luz republicana.
Mas não celebrem tal independência, Por não haver progresso nem ciência, Enquanto entre riquezas tanta fome.
E mais do que fazer o que quiser, Ser livre seja elevar todo o poder Em liberdade digna d'este nome. …………………………………………
IGUALDADE
Não por ser homem, sim por ser humano, Que anseio ser igual, nunca melhor. Em regra, do menor para o maior, Buscam nos ordenar n'um amplo plano.
Desde que o mundo é mundo, salvo engano, Dão a este – e não àquele – mais valor. Por fim, quem se acredita superior Não raro tem causado maior dano…
O macho adulto branco no comando Espera distinguir-se, quando em quando, Tendo-se ora mais forte; ora mais rico.
E eu, que não me sei branco ou mesmo macho, Na velha ordem do mundo não m’encaixo, Tão simples quanto os versos que fabrico. .............................................................
FRATERNIDADE
Àqueles que s’entendem como “nós”, Compartilhando origens ou memórias, Conclamo a relustrar antigas glórias, Fazendo-as ressoar n’uma só voz:
Cantemos na esperança mais feroz Causas identitárias meritórias, Em lugar de grandezas ilusórias, Que tornem a Nação infame algoz.
Em marcha contra insana tirania, Irmanemo-nos em torno da utopia De ser um lar comum o nosso chão.
E que o estandarte erguido a nos guiar Aos filhos d'esta terra possa honrar, Por símbolo de paz e de união.
Belo Horizonte - 20 08 2026
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