Havia luz, nas incertezas da voz

Data 01/09/2026 11:12:19 | Tópico: Poemas




Deambular de novo no interior

de um tempo quieto. Um tempo

em que a ilusão era a verdade a emergir

em cada rosto, em cada curva do pensamento.

Sem medos, sem fantasmas.

Reencontrar-se por dentro de si

quando a crença bastava para traçar a vida

como uma qualquer regra de gramática.

Havia luz nas incertezas da voz

ateada de um fulgor inocente

e o olhar longo, vagaroso nos verbos da tarde

era refúgio da vertigem do poema.



De repente, a vida a revolver a sorte

a gemer idades amarradas a margens

onde morrem acasos ou devaneios.

A arte de esquecer como rua

onde moram pedras e poentes.



Quantas vezes se acertaram os ponteiros

da alma?



Pouco a pouco dói o tempo

a dissolver-se nas veias



porque já não existem árvores onde escrever.





Este texto vem de Luso-Poemas
https://www.luso-poemas.net

Pode visualizá-lo seguindo este link:
https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=385627