
Te vejo nas brechas da noite vazia
Data 02/09/2026 01:12:55 | Tópico: Poemas -> Desilusão
| Nas inquietas noites, onde o silêncio pesa, Caminho por dentro de mim como quem se perde, E cada lembrança tua é uma chama acesa, Ardendo mansa naquilo que já não me serve, Mas que ainda insiste em me chamar pelo nome. A culpa me veste como um frio sem fim, Escorre nos ossos, sussurra nos cantos, Dizendo que fui eu quem deixou tudo assim, Que o amor não se perde, se perde é o encanto, E eu fui descuido no instante em que você partiu. Há um relógio quebrado dentro do peito, Marcando a hora exata do adeus não dito, Um tempo suspenso, imóvel, imperfeito, Onde teu olhar ainda me encontra aflito, Como se o fim nunca tivesse sido completo. Te vejo nas brechas da noite vazia, No vento que passa e parece te trazer, Na sombra que dança na parede fria, No sonho que insiste em não me esquecer, Mesmo sabendo que o dia te apaga de mim. E sigo, entre a culpa e o que ainda resiste, Aprendendo que amar também é perder, Que há dores que o tempo não cura, apenas persiste, Como marcas que escolhem permanecer, Lembrando que um dia eu tive você… e deixei ir. Poema: Odair José, Poeta Cacerense www.odairpoetacacerense.blogspot.com
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