Data 09/09/2026 09:34:22 | Tópico: Textos -> Surrealistas
"O mundo é cego, e tu vens exatamente dele."
(Inferno) Dante Alighieri
Enquanto caminhava naquele escuro de ser ver a um palmo sob o nariz, apenas sentiria-se próximo de um ar que descia. Um ar que desaparecia aos poucos e tornava-se rarefeito ao um extremo que não se cabia, apenas, sobrevivia-se, e ali. E era sempre tarde. Sempre um alarde de meio metro sobressaindo aos espasmos de pele sufocando e ardendo como se brasa pura. Era um grito lancinante que estremecia ao mesmo impacto dos olhos em testemunhar essa inabitável dor. E a memória trucidada em um aspecto perante ao termo violável da dúvida. Não havia direção certa, pois não havia caminhos nem mesmo sob tantos sussurros que tentaram, em vão, divulgar um lugar que nunca existia, tal era o alimento falso, de uma fome devorada pela mentira e queimava no escuro e lá permanecia junto à dor, bem próxima de voltar a morrer, e assim continuar em repetir-se. Mas era assim o tempo que se imaginava. Era o que tinha e o que haveria de ser. Porque o desenho que me trouxe até esse ponto, me permanecia em minha tese de querer acreditar. Seria apenas dessa vez e por isso, tanto que deveria continuar. Passo sob passo. Pé ante pé. E mesmo que queimasse até os meus olhos, enxergaria ali, o alvo que afixou-se de mi. Sendo único credo particular em alvorada da penitência de fé pura e particular. Fosse mais um dia e fosse cega, aquela fogueira que não tomaria para simples combustão espontânea. E caberia, na explosão de todos os recursos negados, um só meio de segundo pra revisitar cada parte de um tempo irreal e remanescente. De contato primal. Intacto. Puro com uma prece deve ser. E mesmo que as batidas atravessem as cordas que balançam rente aos meus ouvidos, naquele caminho é onde a tela, ao livro insone, se seguirá. Intrépido. Alheio ao aspecto que atreveria ficar e lembrar. Assim, sem rumo e sobre o mar. Na tempestade onde guardam os segredos cintilantes. Perversos versos que contrariam a vontade de exercer a simples posição de existência. Era lépida, a canção que voltaria a povoar os meus meios de voo incessante. Sob sombras. Sobre o ar. Na parede que desespera-se e onde se convidam as sombras pra dançar e. Bem, as sombras sempre querem dançar... Na vontade de tintas virgens em derramar o desejo retraído das mensagens de um quadro esquecido sob gravuras onde um amanhã incrédulo, incinera. Inerte. Quase morto e com a estaca sob os olhos de querer voltar. E por isso serão os passos que seguirão defronte. Ao medo. Ao meio de um crime inteiro encomendado na mente desarticulada. Passível de erros. Reino de nadas. Por uma só carta, e mais um passo e de cada vez. Passo sob passo. Pé ante pé. E eu queimo, e.