Evangelho Segundo a Vida [7] (192ª Poesia de um Canalha)

Data 28/09/2026 07:32:49 | Tópico: Poemas

Recusam-se às grilhetas as palavras mudas
As grades das janelas de tantos sentimentos
Que me limitaram a sombreada cela da vida
Recuso gritos destas minhas páginas surdas
Que dobro ao fim da tarde em sonhos lentos
Na distância que entre olhares vejo perdida

Sei que o caminho me foge d'agora a depois
Como nascido de uma dor cinzenta e imoral
E defunto no pedaço de tempo que guardas
Vai um a dançar nos pés descalços dos dois
Na beira da margem d'um rio quase imortal
Na ponta dos dedos destas mãos bastardas

Levo de ti o sabor à maresia de todo um dia
Que arrasto neste corpo saciado de desejos
Ao ver o teu olhar infinito ser meu também
Dei-te a ti de mim tudo o que tanto queria
Roubei um beijo pintado de mais mil beijos
Distância dum passo meu qu'era de alguém



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