Recusam-se às grilhetas as palavras mudas As grades das janelas de tantos sentimentos Que me limitaram a sombreada cela da vida Recuso gritos destas minhas páginas surdas Que dobro ao fim da tarde em sonhos lentos Na distância que entre olhares vejo perdida
Sei que o caminho me foge d'agora a depois Como nascido de uma dor cinzenta e imoral E defunto no pedaço de tempo que guardas Vai um a dançar nos pés descalços dos dois Na beira da margem d'um rio quase imortal Na ponta dos dedos destas mãos bastardas
Levo de ti o sabor à maresia de todo um dia Que arrasto neste corpo saciado de desejos Ao ver o teu olhar infinito ser meu também Dei-te a ti de mim tudo o que tanto queria Roubei um beijo pintado de mais mil beijos Distância dum passo meu qu'era de alguém
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